Homem de Gouveia / Lusa

O Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva

O Presidente da República marcou a tomada de posse do novo Governo para a mesma hora em que se realiza uma sessão plenária na Assembleia, fazendo com que a maioria dos socialistas não possa estar presente na cerimónia.

A tomada de posse do novo Governo de António Costa está marcada para as 16h00 desta quinta-feira com uma cerimónia a realizar-se no Palácio da Ajuda. Até aqui parece estar tudo bem, não fosse o facto de, exatamente à mesma hora, estar a decorrer no Parlamento mais uma sessão plenária.

Face ao agendamento mal calculado da cerimónia, esta decisão está a causar alguma indignação entre os socialistas, já que muitas caras do grupo parlamentar não vão poder estar presentes.

Segundo as informações apuradas pelo Expresso, o próprio presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, não gostou da decisão e vê de forma negativa o facto de a Presidência nem sequer ter tido o cuidado de contactar previamente a Assembleia.

Perante muitas das críticas que se fizeram ouvir, a Presidência da República já reagiu ao incidente e esclareceu que a cerimónia e o seu respetivo agendamento não foram impostas por ninguém mas sim marcadas com o próprio líder socialista.

“O Presidente marcou a data e a hora da tomada de posse do Governo durante a reunião que teve com António Costa e como se compreende, certamente, com o acordo do próprio”, disse fonte oficial de Belém.

Para tentar arranjar uma solução, o Partido Comunista terá mesmo sugerido que a sessão parlamentar começasse só depois da tomada de posse mas o atual Presidente da Assembleia terá recusado essa hipótese.

De acordo com o mesmo jornal, Ferro Rodrigues considera que não tem de ser a Assembleia a mudar o seu funcionamento, uma vez que a agenda está marcada há muito tempo e também porque é sabido por todos que às quintas à tarde se realizam sessões plenárias deste género.

Face a esta sugestão, segundo o Público, o PS não levantou “obstáculos” e também o PSD transmitiu “abertura” para qualquer decisão. Pelo contrário, do lado do CDS ninguém foi contactado para dar a conhecer o seu parecer.

“Ninguém nos falou. (…) Mas, também, já não é comigo, este Governo não é o meu“, disse o líder parlamentar Nuno Magalhães.

Em causa está um debate no qual serão discutidas as medidas extraordinárias apresentadas pelo PS e as propostas da esquerda para que as mulheres possam ter acesso a técnicas de procriação medicamente assistida.

Confusões à parte, ainda não será desta que os protagonistas dos três partidos do acordo à esquerda, PS, BE e PCP, estarão reunidos. Isto porque Jerónimo de Sousa não vai estar presente, tendo sido substituído pelo líder parlamentar João Oliveira.

Por outro lado, Catarina Martins já confirmou presença e vai estar acompanhada de uma comitiva na qual constam Pedro Filipe Soares, presidente do grupo parlamentar e o deputado José Manuel Pureza.

ZAP / Lusa