Paulo Novais / Lusa

Militares à entrada dos Paióis Nacionais do Polígono Militar de Tancos

Na noite deste domingo, vários tiros terão sido disparados perto da casa do comandante, junto à base militar de Tancos, de onde foram roubados na quarta-feira diversos materiais de guerra.

A notícia é avançada pelo Correio da Manhã, que dá conta de que o alerta soou na noite de domingo pelas 21h30, quando os disparos foram ouvidos junto ao perímetro militar.

No mato da área circundante foram vistos vários homens, pelo que foram reforçadas as patrulhas e rondas aos paióis para evitar novos roubos de armamento e salvaguardar o restante material. Depois disso, foi criada uma equipa especial militar para localizar e identificar os autores dos disparos.

Os disparos surgem depois de na quarta-feira ter sido roubado diverso material bélico. Na sequência do roubo, cinco comandantes foram exonerados temporariamente, para que “não haja entraves às averiguações”, segundo o chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte.

Na altura do roubo, o General Loureiro dos Santos confirmou que o sistema de videovigilância da instalação militar está avariado há dois anos.

No entanto, apesar da falta de videovigilância, o material estaria a ser vigiado todos os dias, 24 horas por dia, através de rondas feitas a pé e em viaturas, em horários aleatórios.

Mas, segundo o jornal Público, na noite de terça-feira, a última ronda de vigilância realizou-se às 20h00 e só por volta das 16h00 do dia seguinte é que foi feita uma nova ronda. Isto significa que os paióis ficaram sem vigilância de militares durante quase 20 horas.

Entretanto, a Corifa, empresa que reparou parte da vedação violada no roubo – 900 dos 2.500 metros que a compõem -, já se veio defender, dizendo que fez um “trabalho limpinho” e apontou ainda as responsabilidades para alguém “de dentro”.

“No início até fiquei preocupado, mas não me parece que a investigação aponte para nós e ainda bem, porque o nosso trabalho foi todo limpinho“, disse Manuel Castelão, responsável pela empresa que já trabalha para o Exército “há mais de 20 anos”.

“O acesso aos paióis é feito por um portão de alta segurança. O que faz sentido é que alguém tenha aberto o portão de segurança” para entrar o veículo que terá transportado a carga roubada, pelo que o buraco na vedação deve ter sido aberto como “manobra de distração”, antecipa.

No domingo, o roubo foi falado além-fronteiras, quando o jornal El Español divulgou a lista do material roubado em Tancos. De acordo com os espanhóis, a lista inclui 1.450 cartuchos de munição de nove milímetros, 18 granadas de gás lacrimogéneo e 150 granadas de mão ofensivas.

O El Español garantiu que este era o “inventário definitivo que já foi enviado às forças antiterroristas espanholas”.

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