Investigadores sul-coreanos desenvolveram uma tinta termoelétrica que capta o calor desperdiçado das superfícies pintadas e converte-o em energia elétrica.
A pintura de uma casa está a tornar-se bastante diferente daquilo que costumava ser e a prova disso mesmo é a existência de uma tinta fotovoltaica, que pode ser usada para desenvolver “células solares pintadas”, isto é, que capturam a energia do Sol e transformam-na em eletricidade.
Agora, investigadores sul-coreanos quiseram dar mais um passo em frente e desenvolveram a tinta termoelétrica, que capta o calor desperdiçado das superfícies pintadas e converte-o em energia elétrica.
“Espero que a técnica de pintura termoelétrica possa ser aplicada à recuperação de calor residual de grandes superfícies de fontes de calor, como prédios, carros e navios”, diz Jae Sung Son, co-autor do estudo e investigador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Ulsan (UNIST), na Coreia do Sul.
“Por exemplo, a temperatura do telhado de um edifício e paredes aumenta para mais de 50°C no verão”, explica. “Se aplicarmos tinta termoelétrica nas paredes, podemos converter grandes quantidades de calor residual em energia elétrica“.
Praticamente todas as superfícies
Esta tinta é muito diferente dos materiais termoelétricos convencionais, uma vez que estes são normalmente fabricados como chips planos e rígidos e são depois anexados a objetos de forma irregular que emitem calor residual, como motores, usinas e refrigeradores.
Por isso, o que acontece é que o contacto entre estas superfícies curvas e os geradores termoelétricos planos é incompleto, resultando em perdas de calor inevitáveis, o que diminui a sua eficiência.
No novo estudo, os investigadores da UNIST, do Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia (KIST) e do Instituto de Pesquisa de Eletrotécnica da Coreia, demonstraram que a pintura termoelétrica adere facilmente a praticamente qualquer superfície
.A tinta contém partículas termoelétricas de telureto de bismuto (Bi2Te3), que são geralmente usadas nos dispositivos termoelétricos tradicionais.
Os investigadores também adicionaram auxiliares de sinterização molecular que, ao serem aquecidos, provocam a coalescência das partículas termoelétricas, aumentando a densidade dessas partículas na pintura juntamente com sua eficiência de conversão de energia.
Produção competitiva de energia
Os investigadores demonstraram que a tinta termoelétrica pode ser pintada numa variedade de superfícies curvas emissoras de calor. Depois da sinterização, durante dez minutos a 450 ° C, as camadas pintadas formam uma película uniforme com cerca de 50 micrómetro de espessura.
Os ensaios mostraram que os dispositivos pintados com a tinta termoelétrica exibem uma alta densidade de potência de saída (4 mW/cm2 para dispositivos do tipo “in-plane” e 26,3 mW/cm2 para dispositivos do tipo “throughplane”).
Esses valores são competitivos com os materiais termoelétricos habituais e melhores do que todos os dispositivos termoelétricos à base de tintas e pastas.
Além das aplicações termoelétricas tradicionais, a equipa de investigação espera que esta tinta possa vir a ser usada em eletrónicos impressos em 3D e em arte eletrónica por exemplo.
ZAP / Hypescience