Inácio Rosa / Lusa

A primeira semana de Rui Rio não foi um mar de rosas. O novo líder prepara-se para enfrentar o partido e negociar com o Governo directamente sem passar pelo grupo parlamentar do PSD, caso a contestação dentro do partido continue.

A mensagem do novo líder do PSD é clara: Rui Rio não quer entrar em choque direto com os seus críticos, mas também não está disponível para ceder nas suas intenções para o partido. Desta forma, vai segurar Fernando Negrão, da mesma forma que segurou Elina Fraga.

Ao Público, um membro da atual direção do PSD afirmou que Rio “não é a favor de consensos podres e não clarificadores. Um outro membro da direção acrescentou que “se for preciso Rio conduzirá a sua estratégia de entendimento com o PS para levar a cabo reformas no país fora do Parlamento, através dos grupos de trabalho que vão negociar com o PS a descentralização e fundos estruturais do Portugal 2030″.

Esta decisão de enfrentar o próprio partido e negociar com o Governo diretamente sem passar pelo grupo parlamentar do PSD é mais um ataque à contestação que Rui Rio enfrenta depois de Fernando Negrão ter sido eleito por uma minoria de votos.

Há quem fale em “golpe palaciano“, mas Rui Rio deverá prosseguir a sua agenda por outros meios e cumprir os seus objetivos.

Porém, se há quem aponte o dedo a Rui Rio, há também que o aponte o dedo aos deputados. Um dirigente afirmou ao jornal que o que os deputados estão a fazer em relação a Negrão “não reflete o resultado do congresso que foi de unanimidade e consenso”.

“O doutor Fernando Negrão teve a unanimidade do grupo parlamentar para, há dois anos, ser o candidato do PSD à presidência da Assembleia da República e agora, que é escolhido pelo doutor Rui Rio, tendo sido porta-voz da campanha do doutor Santana Lopes, não serve?”, questiona. “Há deputados que não perceberam a mensagem do congresso

“.

Clima de tensão vai a exame na próxima quinta-feira

Na próxima quinta-feira, Fernando Negrão fará a sua primeira reunião da bancada, enfrentando os deputados que depositaram 32 votos em branco e 21 votos nulos.

O novo líder parlamentar quer envolver todos os deputados na nova estratégia do partido. Numa entrevista à SIC, garantiu que não irá esforçar-se para descobrir quem foram os elementos da sua lista que não votaram nele.

Ainda assim, classificou de “ridícula” a crítica do deputado Sérgio Azevedo, face ao seu desvalorizar dos votos de protesto e reduziu a opinião de Paula Teixeira da Cruz de que não teria legitimidade a “uma interpretação jurídica”, avança o jornal.

Mas a grande dúvida que irá continuar a pairar no ar é se esta guerra no PSD fica por aqui, se continua, ou se, por outro lado, a estratégia dos críticos é fragilizar Rui Rio e pôr a sua liderança em causa ainda antes das legislativas ou se esperam pelo final de 2019.

“Depende de como ele aguentar isto tudo. A equipa dele já está partida, Lisboa vai cilindrá-lo, no Parlamento vai ser muito difícil”, admite um dos ‘montenegristas’, a ala que nasceu no PSD depois do congresso do último fim-de-semana, ao Público.

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