José Sena Goulão / Lusa
A ministra da Saúde anunciou, em entrevista à RTP1, que a Direção-geral da Saúde pediu um parecer sobre o uso generalizado de máscaras para evitar a propagação do Covid-19, tendo sido aconselhada a equacionar a medida.
“A Direção Geral da Saúde (DGS) pediu ainda hoje [domingo] um parecer ao coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Luta contra as Resistências Microbianas e esse parecer vai no sentido de equacionar o uso mais amplo das máscaras“, afirmou Marta Temido.
A ministra não adiantou se a recomendação será adotada, mas admitiu que os responsáveis pelas decisões têm de se adaptar e ter uma dinâmica muito rápida perante as evidências novas que vão surgindo.
Na entrevista, a ministra recordou, no entanto, que o documento que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda tem disponível continua a referir que, para as pessoas sem sintomas, não é recomendável utilizar uma máscara de qualquer tipo.
Após recordar que a infeção com o novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, acontece sobretudo por gotículas de saliva, a ministra alertou que uma máscara mal utilizada poderá não prevenir esse risco.
“O que sabemos também é que em algumas circunstâncias a utilização de máscaras, se devidamente utilizada e sobretudo, muito importante, devidamente acompanhada por um conjunto de outras medidas, pode ter um efeito protetor e um efeito de diminuição…”, afirmou, explicando que o uso de máscara facial pode sobretudo permitir “que algumas coisas que não temos estado a fazer, em termos de contacto social, em termos de utilização de certos serviços, possa recuperar algum enquadramento”.
Ao alertar para a necessidade de “não permitir a ninguém, baixar a guarda”, precisou que o uso da máscara “pode permitir que alguém que está a uma distância de outro, que por algum motivo não é a distância ideal, não afete o outro”.
Marta Temido assinalou ainda a recomendação emitida esta semana pela Direção Geral da Saúde (DGS) sobre o uso de equipamentos individuais, e disse que a sua equipa está consciente que “a adaptação da sociedade e de uma necessidade de contacto” terá de ser acompanhada por medidas.
“Estamos confortáveis com as recomendações que temos e que emitimos esta semana, a utilização de máscara num contexto em que as pessoas ainda estão confinadas. O que estamos a equacionar é uma alteração possível de contexto em que uma necessidade de maior circulação social possa ser adequadamente mais protegida pela utilização mais abrangente de máscaras”, precisou a ministra.
Privados para aliviar SNS
Enquanto António Costa está confiante que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem capacidade de resposta através da reorganização dos seus serviços para uma eventual “grande expansão” do surto, Marta Temido é mais reticente.
Questionada quando é que o SNS pode entrar em colapso ou chegar ao limite, a ministra da Saúde fugiu a uma resposta concreta e rematou: “O que garanto aos portugueses é que direi a verdade”.
A solução encontrada passa por requisitar o serviços dos privados para aliviar o SNS. Segundo o Expresso, Temido admitiu a possibilidade de canalizar doentes graves de covid-19 e doentes com outras doenças para hospitais privados. “As minutas dos acordos já foram aprovadas por mim e agora vamos avançar para a sua celebração. É evidente que os ativaremos se necessário porque isso é da vida“, explicou.
Em relação aos ventiladores disponíveis, a responsável pela pasta da Saúde disse que há uma encomenda que pode reforçar o número de ventiladores para 1538. Além disso, há 26 hospitais com capacidade para realizar testes, tendo sido feitos mais de 100 mil desde 1 de março.
No que toca à possível reabertura das escolas daqui a um mês, Temido não deu certezas. “Vamos reunir a melhor evidência de saúde pública, ver o que nos outros países está a ser feito, tentar ajudar a chegar à melhor decisão: a melhor decisão para a comunidade escolar, mas para toda a sociedade. Não ignoramos que as escolas têm o papel fundamental de agregador social”, afirmou.
“Temos de tomar uma decisão ponderada. Não podemos hipotecar o futuro. Temos de atender aos riscos em presença e equilibrar os que precisamos de correr”, acrescentou.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Andaram a gastar dinheiro em anuncios a dizer que as mascaras não protegiam e agora aconselham uso generalizado ? E continuam em funções ?