Mário Cruz / Lusa
A ministra da Saúde defendeu esta quarta-feira que a lotação da Festa do Avante!, organizada pelo PCP, terá este ano que ser inferior à capacidade máxima de 100 mil pessoas do recinto no Seixal, por causa da covid-19.
“É evidente que estamos a falar, teremos que falar de outros números”, declarou Marta Temido na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia, acrescentando: “compreendo que se fale de um número de 100 mil, na medida do que será a licença de utilização, mas estamos num momento específico, num contexto específico”.
A ministra assegurou que à organização da Festa do Avante! “não será permitido o que está proibido nem proibido o que está permitido” e que “não haverá exceções” às regras adotadas pelas autoridades de saúde para conter o contágio pelo novo coronavírus.
“Tem estado a ser realizado um trabalho técnico. Esta é uma avaliação que é técnica, o que posso dizer é que não haverá exceções. Portanto, há aqui uma organização que engloba um conjunto de áreas de atividade que têm regras”, afirmou.
E acrescentou: “Ninguém entenderia que corrêssemos riscos adicionais por uma circunstância de tratamento especial”.
Cautela com a vacina russa
Na mesma conferência, a ministra da Saúde partilhou as reservas da Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto à vacina para a covid-19 anunciada pela Rússia, afirmando que não se pode sacrificar “segurança e eficácia” em nome da rapidez.
“É muito importante acelerar o processo de investigação em relação à descoberta de uma vacina eficaz, mas não podemos, nesse processo, sacrificar nem a segurança nem a eficácia terapêutica”, declarou Marta Temido.
A ministra indicou que relativamente à vacina Sputnik V, a primeira para a covid-19 a ser anunciada, “há factos que têm sido referidos, que a fase 3 [de testagem na comunidade] não terá sido, eventualmente, totalmente realizada”.
Por outro lado, “ninguém está disponível para desperdiçar a oportunidade de ter um instrumento que ajude a responder a esta doença”, admitiu.
Marta Temido afirmou que a autoridade portuguesa de regulação dos medicamentos (Infarmed) está “a trabalhar com a Agência Europeia do Medicamento, integrado numa rede competente, capacitada e com todos os meios ao seu dispor para garantir que Portugal está entre os países que terão acesso ao que venha a ser uma vacina eficaz”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu na terça-feira com cautela a notícia de que a Rússia registou a primeira vacina do mundo contra a covid-19, sublinhando que deverá seguir os trâmites de pré-qualificação e revisão definidos.
“Acelerar o progresso não deve significar comprometer a segurança”, disse o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, numa conferência de imprensa, acrescentando que a organização está em contacto com as autoridades russas e de outros países para analisar o progresso das diferentes investigações em curso relativamente de vacinas.
A vacina russa, cujo registo foi anunciado terça-feira pelo Presidente russo, Vladimir Putin, em reunião com o gabinete de ministros, não estava entre as seis que a OMS disse na semana passada estarem mais avançadas.
A organização com sede em Genebra citou, entre as seis, três candidatas a vacinas desenvolvidas por laboratórios chineses, duas dos Estados Unidos (das empresas farmacêuticas Pfizer e Moderna) e a britânica desenvolvida pela AstraZeneca em colaboração com a Universidade de Oxford.
Segundo Putin, a vacina russa é “eficaz”, passou em todos os testes necessários e permite atingir uma “imunidade estável” contra a covid-19, devendo entrar em circulação a partir de 01 de janeiro de 2021. Contudo, muitos cientistas, no país e no estrangeiro, questionaram a decisão de registar a vacina antes de os cientistas completarem a chamada Fase 3 do estudo. Essa fase por norma demora vários meses e envolve milhares de pessoas e é a única forma de se provar que a vacina experimental é segura e funciona.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Senhora Ministra aqui não há negociações há que cumprir as normas e se as normas para ajuntamentos dos cidadãos não os permite na Festa do avante deveria ser igual, se são punidos os que organizam festas com 200 pessoas pouco mais porque o PCP pode organizar para milhares de pessoas? Ou temos o Portugal do cidadão que tem de cumprir ou é multado e temos o dos Partidos que podem violar todas as normas que nada lhes acontece? Já não basta os partidos estarem isentos de IMI e de outras obrigações que nós cidadãos temos de pagar agora também podem fazer festas, Manifestações e ajuntamentos.