A televisão pública russa Rossiya 24 divulgou, na quarta-feira, o testemunho de um rapaz que afirma ter participado numa encenação do presumível ataque químico de 7 de abril contra Douma, na Síria.

O embaixador russo junto das Nações Unidas, Vassili Nebenzia, já defendeu perante os jornalistas que a entrevista deve ser mostrada na próxima reunião do Conselho de Segurança, como “prova das manipulações” que envolvem o suposto ataque.

Na reportagem, intitulada “A encenação da guerra”, a Rossiya 24 afirma que o rapaz, que identifica como Hassan Diab, um sírio de 11 anos, desempenhou o papel de vítima de ataque químico num vídeo filmado pela ONG de voluntários Capacetes Brancos, de onde partiu a denúncia do ataque.

“Ouvíamos na rua pessoas a gritar ‘vão para o hospital’. E corremos até lá. Quando entrei, agarraram-me de imediato, atiraram-me com água e puseram-me numa cama juntamente com outras pessoas”, conta a criança.

O rapaz não faz qualquer referência a câmaras de filmar no local, mas um homem apresentado como seu pai, Omar Diab, afirmou que “pela participação na filmagem, os combatentes deram tâmaras, bolos e arroz“.

“Quando soube que a minha família estava no hospital, fiquei louco. Saí do trabalho e regressei ao nosso distrito. Não vi ninguém, não ouvi nada sobre o ataque químico. Saí para fumar e também não senti nada”, começa por dizer.

“Entrei no hospital e perguntei pela minha família. Vi que havia muita água no chão da sala. Subi e vi a minha esposa e os meus filhos. (…) Depois deram-nos tâmaras e bolachas”, recorda.

O ataque com “gases tóxicos”, imputado às forças do regime de Bashar al-Assad, fez alegadamente mais de 40 mortos e esteve na origem da ofensiva dos EUA, Reino Unido e França contra instalações ligadas à produção e armazenamento de armas químicas.

A Síria nega a autoria do ataque e a Rússia, país aliado do regime sírio, afirma que foi encenado com a ajuda de serviços especiais estrangeiros.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa” ]