A Parpública anunciou esta quinta-feira, em comunicado, que já foi assinado o acordo de conclusão da venda direta de 61% do capital da TAP.

“Na sequência da resolução do Conselho de Ministros de hoje acaba de ser assinado entre a Parpública e o Agrupamento Gateway, de David Neeleman e de Humberto Pedrosa, o acordo de conclusão da venda direta das ações representativas de 61% do capital social da TAP”, refere em comunicado.

Segundo o documento, estiveram presentes na assinatura do acordo a secretária de Estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco, o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Miguel Pinto Luz, os representantes do Agrupamento Gateway e da comissão executiva da Parpública.

Antes da sessão de assinatura do acordo de venda ao consórcio Gateway, o presidente da TAP, Fernando Pinto, admitiu que os 150 milhões de euros que serão injetados de imediato são suficientes para colmatar necessidades da empresa.

O administrador da TAP sublinhou também que é “extremamente importante” que o processo continue da forma que está prevista.

Segundo a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, o processo de venda da transportadora aérea nacional era “absolutamente imperioso e inadiável”, porque a empresa estava numa situação de tesouraria “absolutamente desesperada”.

“Tratou-se de uma situação absolutamente inadiável. Faz parte das responsabilidades de quem governa, em qualquer circunstância não deixar que aconteçam danos gravosos ao país”, disse Maria Luís Albuquerque, à margem de um encontro com militantes e simpatizantes do PSD em Castelo Branco.

A responsável pelas Finanças mostrou-se convicta de que a decisão de avançar com a assinatura do acordo de venda da companhia aérea portuguesa se enquadra nos poderes de um Governo de gestão, recordando que, pelo facto de estar em gestão, não deixa de ser um Governo legítimo

que o país tem.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerou por seu turno que a assinatura do contrato para venda da TAP “é uma burla”.

“O que hoje se está a passar tem todos os ingredientes de uma burla, porque o Governo que está a vender não pode vender, talvez até seja bom avisar os privados que querem comprar a TAP que estão a assinar um contrato com quem não tem poderes para o assinar”, disse a responsável do Bloco.

“É uma burla, não pode ser. O Governo já foi demitido, não tem poderes para vender a TAP”, sustentou Catarina Martins.

Entretanto, o PS acusou o Governo de desrespeitar o parlamento ao concretizar a venda da maioria do capital da TAP e prometeu que, “no quadro legal aplicável”, tratará com o comprador da redução da privatização a 49%.

A posição oficial do PS foi transmitida à Lusa pela dirigente socialista e ex-secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, logo após a assinatura do contrato de venda.

ZAP / Lusa