Mário Cruz / Lusa

O secretário-geral do PS, António Costa

O Partido Socialista acredita que a acusação de Tancos, deduzida esta semana pelo Ministério Público (MP), é parte de um ataque, de uma “conspiração” política contra o Governo e o Presidente da República, escreve o Expresso.

Esta semana, reagindo à acusação, Azeredo disse que a acusação dos procuradores do MP “é eminentemente política”, anunciando por isso que ia pedir a instrução do processo.

Segundo o semanário Expresso, a posição do antigo governante está em linha com a do PS: os socialistas acreditam em causa está um ataque político levado a cabo por parte do MP, tentando visar o Executivo liderado por António Costa e a Presidência da República.

O facto de a antiga Procuradora Geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, ser uma peça importante da acusação de Tancos, é um dos do motivos apontados pelo Expresso para justificar as suspeitas socialista. Joana Marques Vidal, recorde-se, foi afastada do cargo há cerca de um ano depois de a decisão ter sido acordada por António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.

Além disso, a presença de dois dos procuradores no caso ajudam a consolidar estas suspeitas: um dos magistrados da acusação esteve também na acusação do caso Freeport, contra o antigo primeiro-ministro José Sócrates e que entretanto foi arquivado; a outra magistrada tem relações familiares com a Bastonária dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, vista muitas vezes como uma das maiores adversárias do Governo.

“Eles vasculharam tudo para envolverem o primeiro-ministro, só não está no processo porque não encontraram nada”, adiantou uma das fontes ouvidas pelo Expresso, antes de dar conta da  alegada para a pressão sobre o ex-chefe da Casa Militar da Presidência. “Também querem chegar a Belém”, afirmou.

Ainda de acordo com o Expresso, fala-se mesmo em “vingança” nos bastidores da campanha socialista. O despacho dos procuradores, recorde-se, acusa Azeredo Lopes de quatro crimes – prevaricação, abuso de poder, denegação de justiça e favorecimento de funcionário – e atingiu de imediato a campanha eleitoral e motivou uma troca de palavras mais acesa entre António Costa e o líder do PSD, Rui Rio.

Apesar da acusação, o PS não acredita que o caso passe da instrução.

Também o jornal Sol puxa o caso de Tancos à manchete deste sábado, escrevendo que o caso deixou António Costa furioso, uma vez que o primeiro-ministro não quer ver o seu nome associado ao caso. De acordo com o mesmo semanário, o PS culpa ainda Azeredo Lopes por tornar a maioria absoluta mais difícil.

Escalada de tensão entre Costa e Rio

A troca de palavras entre Rio e Costa não se ficou pelo quinto de campanha, arrastando-se para o dia seguinte, com o social democrata a dizer que não explorou a parte judicial do caso de Tancos. Por sua vez, o secretário-geral do PS convidou Rio a voltar a campanha.

“Agora já conhecemos a acusação, é tempo de ouvir a defesa e depois deixar os tribunais decidirem. É assim que se respeita o Estado de direito e agora é o tempo da justiça”, disse Costa no final da tradicional ação de rua do PS na baixa portuense.

Perante os jornalistas, o líder socialista retomou críticas ao líder social-democrata a deixou-lhe um desafio. “Quanto ao doutor Rui Rio, já lhe disse ontem o que tinha a dizer. Quanto ao mais, convido o doutor Rui Rio a voltar à campanha eleitoral, respondendo aos portugueses sobre o que é que ele pretende fazer nos próximos quatro anos”, afirmou.

“Sobre esse assunto [caso Tancos] já disse tudo o que tinha a dizer há vários meses atrás, quando respondi a todas as perguntas que os senhores deputados me quiseram fazer na comissão parlamentar de inquérito e já disse tudo o que tinha a dizer ao doutor Rui Rio ontem”, insistiu.

Os restantes partidos em campanha também não se alhearam ao caso: PSD e CDU a admiram esta sexta-feira levar o processo novamente à Assembleia da República, CDS-PP vai reunir de emergência e Bloco a recusar entrar em especulações.

“Se há característica minha é não só não ter mudado de princípios, como ser quase teimoso e ter uma fidelidade total aos meus princípios, afirmou Rio Rio antes de revelar que “ainda hoje [sexta-feira] ou segunda-feira” o PSD vai pedir a convocação de uma reunião da Comissão Permanente do parlamento, ressalvando, contudo, que esta posição não vai afetar futuros entendimentos entres os sociais-democratas e o PS.

Os centristas também não abandonaram o tema e a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, cancelou uma ação de campanha prevista para a manhã de sábado para reunir a comissão executiva, órgão mais restrito da direção de Cristas.

A dirigente afirmou que, “do que foi conhecido e dito pelos partidos”, depois de conhecido o despacho de acusação do MP, aumenta a “importância política e gravidade do tema”.

A coordenadora nacional bloquista, Catarina Martins, comentou o caso, enquanto marcava presença numa manifestação em defesa do ambiente, em Braga, alegando que a acusação do Ministério Público é “extraordinariamente grave”, mas recusou “fazer especulações” sobre quem tinha conhecimento do furto e reaparecimento do material militar.

Sobre as acusações de Rio, a dirigente do Bloco reiterou o que já tinha dito na quinta-feira, que o relatório foi aprovado com base nos factos que à altura se conheciam.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, também respondeu ao líder social-democrata, considerando que encontrou no processo de Tancos “uma boia de salvação”, para aproveitar politicamente o processo, mas mostrou-se disponível para aprovar uma nova comissão de inquérito. “É uma evidência que a questão de Tancos assume uma grande relevância”, afirmou, mostrando também “toda a disponibilidade” para reunir a comissão permanente da Assembleia o mais breve possível, como sugeriu Rui Rio.

Dos partidos com assento parlamentar, apenas o PAN se demarcou da polémica, voltando atenções para a greve climática global que decorreu hoje em vários países, incluindo Portugal, e que também mobilizou candidatos e dirigentes de partidos como o Livre, o MPT (Movimento Partido da Terra) e MAS (Movimento Alternativa Socialista).

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