Paulo Novais / Lusa

Entrada dos Paióis Nacionais do Polígono Militar de Tancos

Um acidente com o jipe na área dos paióis uma semana e meia antes do assalto aos armazéns de armamento e a sua tardia substituição, criou uma lacuna nas rondas de vigilância aos locais. A possibilidade de ter sido alguém do Exército a fazer o assalto, como tinha avançado o general Rovisco Duarte, ganha força.

Os militares que estavam responsáveis por garantir a segurança aos Paióis Nacionais de Tancos através de rondas, estiveram 11 dias impossibilitados de as fazer de carro, tendo em conta que as instalações têm cerca de 340 mil metros quadrados.

Um acidente com o jipe na área dos armazéns levou a que as rondas de carro ficassem limitadas a determinadas horas do dia: uma à hora de almoço e outra pelo jantar. Fora desse período, as rondas sobre quatro rodas eram a exceção, avança o Observador.

Os Paióis Nacionais de Tancos têm 20 pavilhões, entre paióis e paiolins. Uma parte está vazia, a outra guarda algum material. Os armazéns assaltados eram os que guardavam o material mais significativo. Foi exatamente isso que levou o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, a assumir que, “para haver algo deste género, tem de haver informação interna“.

E agora, a janela de oportunidade aproveitada, sabendo-se então que apenas duas vezes ao dia eram feitas rondas de carro, volta a dar força a essa possibilidade.

Em condições normais, as rondas são um misto dos dois modelos, cada uma com uma função específica: enquanto que nas deslocações a pé se verificam, por exemplo, a integridade dos “selos” nas portas que garantem que não foram abertas de forma indevida, na volta de jipe, que cobre a extensa área de forma mais rápida, os militares atentam a sinais como o estado da rede.

No dia do assalto, 28 de junho, o portão de um dos três paiolins mais sensíveis foi o primeiro sinal de alerta. Quando os militares passaram por ali, pouco depois das 16h, aperceberam-se de que um dos portões estava escancarado.

Perceberam mais tarde que tinham sido levadas algumas dezenas de “granadas de mão ofensivas e munições de calibre 9 milímetros”, como, aliás, o Exército fez saber no primeiro comunicado

que divulgou sobre o assunto. Mas havia mais material desaparecido – material considerado muito mais sensível.

Ao lado desse paiolim, um segundo armazém assaltado inspirava mais cuidados. A fechadura também tinha sido destruída, mas o portão estava encostado.

Com receio de que o edifício pudesse estar armadilhado – arriscar detonar um explosivo naquele local teria consequências graves, uma vez que no interior ainda havia bastante material de guerra armazenado -, os militares não entraram e optou-se por acionar uma equipa de inativação de explosivos do regimento de Engenharia nº1, instalado a umas centenas de metros dos paióis.

Só depois terá sido detetado o corte na zona norte da rede que delimita o terreno dos paióis, a cerca de 500 metros dos armazéns assaltados.

Sem jipes, com as torres de vigia nos paióis desativadas e com o sistema de videovigilância inutilizado há vários anos, a segurança ao espaço era assegurada por rondas de jipe – limitadas aos momentos de troca de equipas – e a pé. A ação de vigilância que detetou o arrombamento foi, segundo o Observador apurou, realizada a pé.

O furto a Tancos foi detetado a meio da tarde de 28 de junho. Na mesma noite, os inspetores da Polícia Judiciária Militar estiveram no terreno a recolher as primeiras provas e as equipas cinotécnicas da GNR bateram os terrenos à volta dos paióis de Tancos em busca de algum material furtado que pudesse ter sido deixado para trás ou de algumas pistas sobre os autores do assalto.

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