(dr) RTP
Nuno Morais Sarmento
Nuno Morais Sarmento não poupou críticas a João Soares no caso das bofetadas, mas reconheceu que, em tempos, também lhe apeteceu dar “dois murros” ao socialista Manuel Maria Carrilho.
No programa “Falar Claro”, da Rádio Renascença, o social-democrata comentava, com o socialista Vera Jardim, o caso João Soares, criticando as ameaças de João Soares a dois comentadores do Público que levaram à sua demissão e afirmando que o ex-ministro da Cultura teve “falta de cuidado” numa “intervenção com alguma arrogância”.
No entanto, Morais Sarmento admitiu já lhe ter passado pela cabeça semelhante vontade.
“A mim apeteceu-me dar dois murros no Carrilho quando fui ministro”, confessou o social-democrata, a propósito de declarações polémicas de Carrilho sobre Morais Sarmento em 2002, quando era ministro da Presidência do Conselho de Ministros.
Na altura, Morais Sarmento tinha afirmado não conhecer “um único escrito, pensamento ou intervenção com preocupação cultural antes de 95. É um novo rico da cultura portuguesa, já havia o novo rico do volfrâmio da guerra”.
Carrilho terá respondido em entrevista ao Expresso com um golpe baixo, evocando o passado como toxicodependente do então ministro da Presidência. Morais Sarmento era mais “tentado pela assídua frequência do Casal Ventoso do que pela visita a boas livrarias, umas horas de biblioteca ou até, se calhar, pela simples leitura de jornais”, afirmou Manuel Maria Carrilho.
“Estados de alma”
No que toca à demissão de João Soares, Sarmento considera que o socialista “não deixou de ser ministro por ser um mau ministro da Cultura”, mas teve que abandonar o cargo “por ter tratado com os pés assuntos que não podem ser tratados com os pés, têm de ser tratados com as mãos e, por vezes, com pinças”.
O social-democrata considerou que João Soares “ou acha que estamos num tempo ido, em que as pessoas podiam ter intervenções com esta arrogância, ou então anda muito descompensado por outra razão qualquer, pessoal ou profissional”.
“Agora, ele esqueceu-se que o tempo do Carlos Candal já lá vai. A maneira como ele fez, em relação a António Lamas e depois nesta situação, mostram uma falta de cuidado e, porventura, uma intervenção com alguma arrogância que não considerou nada disto”, explica o social-democrata, referindo-se ao autor do violento “Breve manifesto anti-Portas em português suave” e ao caso da demissão do presidente do Centro Cultural de Belém demitido por Soares no início do ano.
Vera Jardim, por seu lado, disse que todas as pessoas têm “estados de alma. Mas hoje as condições do exercício do cargo, a visibilidade, os Facebooks e tudo isto, exigem uma coibição de linguagem e João Soares não a teve. E eu lamento”.
“Apesar de todas as condicionantes financeiras podia ter sido um bom ministro”, reiterou ainda o socialista.
ZAP
Aqui tinha todo o cabimento!
O seu a seu dono.Ou não fosse o dito um antigo pugilista.