Jim Lo Scalzo / EPA

Mensagens entre representantes americanos e ucranianos sugerem uma troca de favores entre Donald Trump e o Governo ucraniano. Em causa estava um pacote de 400 milhões de euros que seriam concedidos após a confirmação de uma investigação a Joe Biden.

O apoio à destituição de Donald Trump aumentou, após a suspeita de uma troca de favores entre o presidente norte-americano e a Ucrânia. Mensagens de telemóvel mostram que um embaixador americano em Kiev estava convencido de que a Casa Branca reteve ajuda financeira para que a Ucrânia investigasse o antigo vice-presidente americano.

O pedido de investigação terá sido reforçado por diplomatas norte-americanos, tendo em conta a atuação do filho de Joe Biden no conselho de uma empresa de gás no país. Esta foi a condição imposta para a realização de uma visita de Estado do presidente ucraniano à Casa Branca.

De acordo com o Público, responsáveis dos dois países terão trocado mensagens para acertarem uma estratégia a seguir. As mensagens chegaram ao Congresso americano esta quinta-feira e, numa delas, o embaixador dos Estados Unidos mostra-se incomodado com o progresso das conversações.

“Isto significa que a ajuda à segurança e a reunião na Casa Branca dependem do lançamento de investigações?”, lê-se numa das mensagens trocadas entre os diplomatas. A ajuda à segurança é relativa a um pacote de 400 milhões de euros de ajuda ao Governo ucraniano que Trump tinha retido nos cofres.

Joe Biden é um dos principais adversários políticos de Donald Trump e é favorito a concorrer pelos Democratas às próximas eleições. As mensagens trocadas sugerem que uma possível melhoria nas relações entre Washington e Kiev só seria possível caso o Governo de Zelensky colaborasse na investigação ao filho de Biden

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Em 2016, na altura no cargo de vice-presidente, Biden exigiu que o Kiev afastasse o procurador-geral ucraniano caso quisesses receber um empréstimo de mil milhões de dólares. Em causa estava Victor Shokin, que estava a investigar a Burisma, empresa cujo filho de Biden estava no painel administrativo.

“Presumindo que o presidente Z convença Trump de que vai investigar […] acertaremos a data para a visita a Washington”, lê-se numa mensagem enviada pelo embaixador interino em Kiev, Kurt Volker, citada pela DW.

Caso se prove que a retenção de ajuda financeira a Kiev e a recusa em receber o presidente ucraniano na Casa Branca sem a confirmação de uma investigação a Hunter Biden, os Democratas têm aqui pano para mangas no processo de impeachment. O pedido de assistência a Zelensky para influenciar a campanha eleitoral poderá ser decisivo para garantir a destituição de Donald Trump.

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