Manuel de Almeida / Lusa

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, acompanhado pela Diretora Geral de Saúde, Graça Freitas

Fonte da Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou sete casos de sarampo na região norte, explicando que cinco novos casos confirmados esta quarta-feira são profissionais do Hospital de Santo António, no Porto. “A presente situação na Região Norte configura a existência de um surto” de sarampo.

Estão confirmados sete casos de sarampo no Hospital de Santo António, no Porto. Os cinco novos casos foram confirmados esta quarta-feira enquanto que os outros dois já tinham sido anunciados pela DGS na terça-feira à noite.

De acordo com o Público, o Hospital de Santo António reportou até às 21h desta quarta-feira 32 casos suspeitos. Destes, “oito foram já testados laboratorialmente no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, cinco dos quais foram confirmados como casos de sarampo”, explica o comunicado.

Desde o dia 9 de março foram notificados 34 casos suspeitos, dos quais foram confirmados sete casos, revela o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), publicado esta quarta-feira à noite, citado pelo Jornal de Notícias.

Os cinco casos confirmados fazem todos parte do grupo de profissionais do Hospital de Santo António, que estavam já em investigação, confirmou Graça Freitas, diretor-geral da Saúde, ao jornal. Dos sete casos, cinco são profissionais de saúde, três não estavam vacinados e um tinha o esquema vacinal (duas doses) incompleto.

Graça Freitas adiantou que três doentes estão internados no Hospital de Santo António, sendo que num dos casos a situação clínica é considerada instável.

Há um surto de sarampo em Portugal

Depois de terem sido confirmados os sete casos de sarampo na região Norte do país, a Direção-Geral de Saúde declarou esta quarta-feira “a existência de um surto” de sarampo em Portugal.

Num comunicado, a DGS refere que “a presente situação na Região Norte configura a existência de um surto” de sarampo e recorda que até terça-feira tinham sido “notificados na Região Norte dois casos de sarampo, aparentemente não relacionados, confirmados laboratorialmente em adultos não vacinados”.

De acordo com a DGS, “está em curso a investigação epidemiológica detalhada da situação, que inclui a investigação laboratorial de todos os casos”.

No comunicado, a DGS recomenda que as pessoas verifiquem os boletins de vacinas e que, caso seja necessário, se vacinem contra o sarampo

, recordando tratar-se de “uma das doenças infeciosas mais contagiosas podendo provocar doença grave, principalmente em pessoas não vacinadas”.

No caso de pessoas vacinadas, “a doença pode, eventualmente, surgir, mas com um quadro clínico mais ligeiro e menos contagioso”. Além disso, aconselha ainda a “quem esteve em contacto com um caso suspeito de sarampo e tem dúvidas” que ligue para a Linha Saúde 24 (número 808 24 24 24).

Quem tiver “sintomas sugestivos de sarampo (febre, erupção cutânea, conjuntivite, congestão nasal, tosse) deve também ligar para a linha. Com esses sintomas, a DGS recomenda que “não se desloque e evite o contacto com outros”.

No ano passado, o sarampo provocou 35 mortes, incluindo uma em Portugal, só num conjunto de 50 países da região europeia, onde se registaram mais de 20 mil casos em 2017. No ano passado, Portugal teve dois surtos simultâneos de sarampo (num total de 29 casos), que chegaram a provocar a morte de uma jovem de 17 anos.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), “cada nova pessoa afetada pelo sarampo na Europa relembra que crianças e adultos não vacinados, independentemente de onde vivam, continuam em risco de contrair a doença e de a passar a outros que possam ainda não estar vacinados”.

O sarampo é uma doença grave, para a qual existe vacina, contudo, o Centro Europeu de Controlo de Doenças estima que haja uma elevada incidência de casos em crianças menores de um ano de idade, que ainda são muito novas para receber a primeira dose da vacina.

Segundo os dados de 2017, mais de 87% das pessoas que contraíram sarampo não estavam vacinadas.

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