Dezenas de substâncias potencialmente tóxicas foram encontradas em fraldas descartáveis na França, segundo um estudo divulgado esta semana pela Agência Francesa para Segurança Alimentar, Ambiental e do Trabalho (Anses).

Segundo a agência, o estudo – descrito como o primeiro do tipo – identificou substâncias como o herbicida glifosato, dois perfumes artificiais, dioxinas potencialmente perigosas e butilfenil metilpropional, composto usado em cosméticos.

O controverso glifosato é amplamente usado na agricultura. Um estudo de 2015 da Organização Mundial da Saúde concluiu que o herbicida “provavelmente causa cancro”.

A Anses sublinhou que não há ainda estudos médicos que comprovem problemas de saúde causados por fraldas descartáveis, mas afirmou que riscos não podem ser descartados, uma vez que foi detetada a presença de substâncias acima dos limites considerados saudáveis.

O governo francês convocou uma reunião com os fabricantes de fraldas descartáveis para quarta-feira, dando-lhes um prazo de 15 dias para remover as substâncias potencialmente tóxicas identificadas pela investigação da Anses.

“Quero reassegurar aos pais que a Anses afirma que não há risco imediato para a saúde das nossas crianças”, afirmou a ministra da Saúde francesa, Agnes Buzyn. “Obviamente devemos continuar a colocar fraldas descartáveis nos nossos bebés.” Buzyn ressaltou, porém, que o estudo não exclui um risco à saúde das crianças a longo prazo. “Por isso, queremos, por precaução, proteger as nossas crianças de possíveis efeitos.”

Para o estudo, cientistas da Anses testaram 23 tipos de fraldas descartáveis depois de serem utilizadas por bebés. “Calculamos a quantidade [de químicos] absorvida de acordo com o tempo que uma fralda é usada e o número de fraldas usadas por bebés até os 36 meses de idade. Por fim, comparamos os resultados com padrões toxicológicos”, explica Gérard Lasfargues, vice-diretor da Anses.

Na França, um bebé usa, em média, 3.800 a 4.800 fraldas descartáveis. Segundo Lafargues, os componentes químicos potencialmente prejudiciais à saúde foram encontrados até em produtos anunciados como ecologicamente corretos.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, a fabricante Pampers, que pertence ao grupo americano Procter & Gamble, afirmou que as suas fraldas são “seguras e sempre o foram”.

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