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O físico Stephen Hawking fez 75 anos – mais 50 do que os seus médicos lhe disseram um dia que poderia fazer

O físico britânico Stephen Hawking teceu duras críticas sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e alertou para os perigos das mudanças climáticas.

“Ao negar a existência do aquecimento global e abandonar o Acordo Climático de Paris, Donald Trump vai causar danos inevitáveis no nosso lindo planeta, ameaçando a natureza, para nós e para as nossas crianças”, afirmou.

“As ações de Trump podem levar a Terra à beira do abismo e transformá-la em Vénus, com uma temperatura de 250ºC e chuva de ácido sulfúrico“, disse à BBC em Cambridge, depois de participar num evento para comemorar os seus 75 anos.

A decisão de abandonar o Acordo de Paris levou, no início do mês passado, uma série de personalidades do mundo da ciência e tecnologia a virar costas a Donald Trump – com destaque para o visionário fundador da Tesla, Elon Musk, que anunciou a demissão do cargo de conselheiro do presidente norte-americano.

Situação crítica, quase irreversível

O grande receio de Stephen Hawking é de que as circunstâncias na Terra fiquem cada vez mais parecidas com as condições inóspitas que se registam no planeta Vénus.

Vénus é o segundo planeta do Sistema Solar a partir do Sol e uma terra de extremos: quente, seco, com uma atmosfera composta basicamente por dióxido de carbono e a superfície coberta por nuvens de ácido sulfúrico.

AOES Medialab / ESA

Conceito artístico da superfície de Vénus. O planeta gerou uma superfície nova depois de uma inundação cataclísmica de lava há 500 milhões de anos

“Estamos numa situação crítica, na qual o aquecimento global vai se tornar irreversível”, alertou o cientista. Segundo Hawking, essa é “uma das maiores ameaças que enfrentamos e que podemos prevenir se agirmos agora“.

Um sonho

Questionado sobre qual seria o seu sonho atualmente, Hawking diz que seria “a cura para a Esclerose Lateral Amiotrófica – doença que sofre – ou, pelo menos, uma interrupção no seu avanço”.

“Quando fui diagnosticado aos 21 anos, disseram-me que ia morrer da doença em dois ou três anos. Agora, 54 anos depois, embora fraco e numa cadeira de rodas, estou a trabalhar e a produzir artigos científicos.”

Segundo Hawking, “tem sido um grande desafio, que só consegui superar com muita ajuda da minha família, colegas e amigos”.

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