Carlos Barroso / Lusa
O juiz de instrução que decretou a prisão preventiva do pai e da madrasta da criança assassinada em Atouguia da Baleia, em Peniche, usou a palavra “tortura” na sua decisão. O pai terá confessado ter dado uma “sova grande à filha Valentina”, alguns dias antes da morte.
Os indícios recolhidos no caso da morte de Valentina, a criança de 9 anos que foi dada como desaparecida em Atouguia da Baleia, em Peniche, e que depois foi encontrada morta, apontam para um quadro de grande violência.
Os exames preliminares da autópsia realizada ao corpo da criança detectaram lesões na cabeça, apontando para uma morte violenta. Mas só os resultados laboratoriais vão confirmar a causa de morte.
O que parece, desde já, seguro é que a menina foi alvo de agressões severas por parte do pai. O próprio arguido, Sandro Bernardo, de 32 anos, confessou em tribunal que deu uma “sova muito grande” à filha no dia 1 de Maio. Em causa estaria a intenção de obrigar a criança a confessar se estaria a ser vítima de abusos sexuais por parte de um amigo da mãe, conforme rumores que haveria na localidade.
No dia da morte da criança, que terá ocorrido no passado 6 de Maio, Sandro terá confrontado novamente Valentina com os rumores, voltando a agredir a criança. Os resultados preliminares da autópsia não detectaram indícios de abuso sexual.
O Jornal de Notícias (JN) avança que as agressões desse dia ocorreram num quadro de “tensão familiar, ampliada pelo confinamento obrigatório”, notando que o pai, “pressionado pela companheira para que Valentina voltasse para a casa da mãe, voltou a discutir com a filha”.
Sandro terá despejado “água a escaldar” pelo corpo da filha “ao mesmo tempo que a agredia e até lhe apertava o pescoço”, relata o JN, acrescentando que só parou quando Valentina “já estava a ficar inconsciente”.
“Apertou-lhe o pescoço e acabou por lhe dar uma pancada na cabeça, que lhe provocou um traumatismo cranioencefálico que se revelaria fatal”, relata o Expresso.
A madrasta da criança, Márcia Monteiro, não terá participado nas agressões, mas não fez nada para a ajudar. “Confessou ao juiz que viu “um pedido de ajuda” no olhar da criança mas mesmo assim, nada fez”, refere o Expresso.
Márcia alegou em tribunal que foi ameaçada pelo companheiro e que teve, por isso, que o ajudar a esconder o corpo.
A criança terá ficado em agonia no sofá, embrulhada numa manta, durante várias horas, sem que Sandro, nem Márcia tivessem feito nada para a ajudar. As outras três crianças da casa, filhas do casal – com 7 meses, 4 anos e 12 anos – terão assistido a parte das agressões e à agonia da criança.
O filho mais velho de Márcia, um adolescente de 12 anos, também foi ouvido em tribunal e terá contado que viu o padrasto a bater em Valentina e que viu a menina no sofá, sem reacção. Também terá dito que viu a mãe e Sandro transportarem a criança para fora de casa, durante a noite.
Sandro e Márcia vão aguardar julgamento em prisão preventiva.
O pai de Valentina é acusado de homicídio qualificado, profanação de cadáver e de um crime de violência doméstica. A madrasta está indiciada de homicídio qualificado por omissão e de profanação de cadáver.
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Só digo o seguinte.........Em Prisão os Infanticidas são um alvo a abater por parte de certos detidos !