José Sena Goulão / Lusa

O secretário-geral do PS, António Costa, com Carlos César (esq) e Eduardo Ferro Rodrigues (dir)

António Costa não estará agradado com a forma como José Sócrates e os seus advogados têm conduzido o seu processo judicial, nomeadamente por considerar que o ex-primeiro-ministro socialista está a ofuscar o PS no capítulo da exposição mediática.

Esta ideia é defendida por várias fontes contactadas pelo jornal Sol, que constata que “a tensão entre Sócrates e Costa vai num crescendo” e que “a tempestade ameaça estalar em plena campanha”.

A publicação refere-se em particular ao recente caso da recusa de José Sócrates em aceitar a prisão domiciliária com pulseira electrónica.

O facto de os advogados do ex-governante terem feito o anúncio sobre essa nova possível medida de coacção apenas no sábado à tarde, depois do encerramento da Convenção Nacional do PS, caiu mal a António Costa e aos seus apoiantes.

“Há aqui uma distracção infeliz do advogado de José Sócrates, para não dizer que há mau gosto no momento escolhido”, assume o dirigente socialista Álvaro Beleza, citado pelo Sol.

Os advogados tinham conhecimento daquele dado desde sexta-feira e um ex-ministro do PS, não identificado pelo mesmo jornal, fala de “um timing estranho“, já que a situação de Sócrates acabou por se sobrepor às medidas anunciadas pelo PS, durante a Convenção.

“Já tínhamos tido a coincidência desagradável de Sócrates ter sido preso na altura do Congresso que consagrou Costa como líder e agora temos uma nova coincidência desagradável“, refere ainda ao Sol “um dirigente próximo de António Costa”.

Um deputado do PS, também não identificado, frisa ao Sol que António Costa e José Sócrates estão em “fase de conflito aberto” e teme-se que esta aparente animosidade possa agravar-se ainda mais durante a campanha eleitoral.

É que a prisão preventiva de José Sócrates será de novo reavaliada em Setembro e António Costa teme que o ex-governante possa, mais uma vez, desviar de si os holofotes da comunicação social.

ZAP