José Sena Goulão / Wikimedia

Ex-primeiro-ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

José Sócrates critica “a selvajaria” que diz que as autoridades usaram na sua detenção, há um ano, e promete “reduzir a pó” qualquer acusação que seja feita contra ele. Declarações à TVI numa entrevista em plena rua.

Quando se assinala um ano após a detenção de José Sócrates, em pleno Aeroporto de Lisboa, no âmbito da Operação Marquês, o ex-primeiro-ministro promete arrasar qualquer acusação do Ministério Público contra ele.

“Estou cada vez com mais energia, vontade e determinação para lutar. Estou a preparar-me para reduzir a pó qualquer acusação que me possam fazer“, promete José Sócrates nesta entrevista à TVI feita no meio da rua.

O ex-governante considera ainda que o “prenderam abusivamente”, usando contra ele “toda a selvajaria que puderam”.

“Isto foi uma violência injustificada e as violências injustificadas do lado do Estado são ilegais”, salienta.

“Lesaram o meu bom nome, a minha dignidade e politicamente lesaram o governo anterior“, atira também.

Sócrates considera assim que o Ministério Público “deve uma explicação ao país”, depois de ter alegado ter “todas as provas, concludentes e definitivas” contra ele e de, volvido um ano, não ter apresentado nenhuma prova concreta.

“Não as apresentam porque não as têm nem nunca as tiveram. É impossível provar o que nunca aconteceu. Têm muitas opiniões, mas não têm factos nem provas”, diz Sócrates.

O ex-primeiro-ministro acusa também o Ministério Público de ter passado por cima dos prazos legais “como se nada fosse, como se pudessem manter sob suspeita alguém indiferentemente dos prazos e do tempo”.

Detido a 21 de Novembro de 2014, José Sócrates

é suspeito de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para acto ilícito, mas ainda não foi alvo de qualquer acusação.

O ex-primeiro-ministro esteve em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora durante vários meses.

Em Setembro passado, passou a regime de prisão domiciliária com vigilância policial, depois de ter recusado a prisão domiciliária com pulseira electrónica.

A 16 de Outubro, passou a estar sob Termo de Identidade e Residência, mas a sua defesa espera conseguir a extinção de todas as medidas de coacção.

Além de Sócrates, são arguidos no âmbito da Operação Marquês o seu amigo empresário Carlos Santos Silva e a sua esposa, Inês do Rosário, o ex-motorista João Perna, o advogado Gonçalo Ferreira, o ex-ministro Armando Vara e a filha Bárbara Vara, o administrador da farmacêutica Octapharma, Paulo Lalanda Castro, o presidente da empresa gestora do empreendimento turístico do Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira, o administrador do Grupo Lena, Joaquim Barroca e o consultor e sócio de Santos Silva, Rui Mão de Ferro.

ZAP