José Goulão / Wikimedia

O ex-primeiro-ministro José Sócrates

José Sócrates terá tentado interferir na gestão da empresa dona do Diário de Notícias, do Jornal de Notícias e da TSF, para que contratasse jornalistas da sua “confiança” para “lugares-chave”.

Segundo apurou o jornal Sol, esta é uma das conclusões da investigação do Ministério Público, no âmbito da Operação Marquês.

A publicação relata a forma “como foi congeminado o plano para dominar o grupo DN/JN/TSF“, salientando que José Sócrates “tentou influenciar o presidente da administração” do grupo, o advogado Daniel Proença de Carvalho.

A estratégia passava por assegurar que fossem destacados “jornalistas da sua confiança para assumirem posições-chave” no grupo, “por forma a controlar editorialmente esses órgãos de informação”.

Os factos remontam a 2014, altura em que Joaquim Oliveira negociava a venda de parte das acções da Controlinveste com o empresário angolano António Mosquito e com Luís Montez, genro do actual presidente da República, Cavaco Silva.

Foi após este processo, no qual Mosquito adquiriu 27,5% do grupo e Montez comprou 15%, que Proença de Carvalho foi designado presidente não executivo do Conselho de Administração.

Segundo o jornal, Sócrates terá mesmo sido apanhado, nas escutas telefónicas da Operação Marquês, a incentivar Proença de Carvalho, que foi seu advogado, a adquirir a Controliveste.

O ex-governante terá também tido influência na escolha de Afonso Camões para o lugar de director do Jornal de Notícias.

O Correio da Manhã chegou a revelar que Afonso Camões terá também sido escutado a confessar a Sócrates que preferia ser director do Diário de Notícias.

Mas o ex-primeiro-ministro ter-lhe-á dito que seria melhor estar à frente do JN para concorrer com o Correio da Manhã.

ZAP