Ricardo Stuckert / PR

Ex-primeiro ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

A Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) arquivou o inquérito que tinha aberto, depois da denúncia do alegado tratamento de favor que José Sócrates estaria a receber no Estabelecimento Prisional de Évora. O sindicato dos guardas prisionais contesta esta decisão, notando, a título de exemplo, que os botins do ex-primeiro-ministro nunca lhe foram confiscados.

O maior número de visitas e com uma duração superior às dos restantes reclusos e o uso do telefone no gabinete do director adjunto da prisão seriam alguns dos motivos da queixa apresentada pelo Sindicato Nacional do Corpo Nacional da Guarda Prisional (SNCNGP), assegura o Público.

O inspector-geral dos Serviços de Justiça, Manuel Santa, confirmou ao diário que o inquérito aberto em Janeiro foi arquivado há mais de um mês, frisando que “a queixa do sindicato não tinha fundamento” e que as situações relatadas estavam “devidamente fundamentadas”.

O SNCNGP, no entanto, contesta este parecer, realçando inclusive que não foi sequer informado do arquivamento do processo.

Não tenho dúvidas sobre as irregularidades que ocorreram efectivamente“, sublinha o presidente do sindicato dos guardas prisionais, Jorge Alves, em declarações ao Público.

“A questão do telefone parou de imediato mal saíram as primeiras notícias”, acrescenta o sindicalista, realçando que as visitas ainda ocorrem ocasionalmente sem que haja a devida credenciação e que “os botins, proibidos pelo regulamento, ainda não foram confiscados

“.

A questão dos botinas já tinha dado muito que falar e um dos advogados de José Sócrates chegou a referir “discriminação negativa” em relação ao ex-governante, depois de o director do Estabelecimento Prisional de Évora o ter notificado para entregar o calçado que seria proibido, de acordo com os regulamentos da cadeia.

O presidente do Sindicato dos guardas prisionais considera assim que o arquivamento da queixa por alegado tratamento de favor a Sócrates é uma forma de “abafar o caso e as irregularidades que realmente sucederam”, conforme cita o Público.

Entretanto, o Público dá conta de supostas “novas denúncias” de que o ex-primeiro-ministro não será “tratado como um recluso normal”, fazendo referência em particular a um artigo publicado este sábado no blogue Dos Dois Lados das Grades, do ex-inspector da Polícia Judiciária João de Sousa, que está também em prisão preventiva em Évora, no qual nota diversas circunstâncias que indiciarão certos privilégios concedidos a José Sócrates.

O ex-inspector refere, nomeadamente, que o ex-primeiro-ministro nunca passou pelas camaratas, onde dormem cinco homens, e que está sozinho numa cela. Além disso, frisa o facto de o ex-governante nunca ser alvo de buscas e nota que “as visitas do José são uma mina: não existe horário; o número, um mistério; a frequência, um tabu“.

ZAP