André Kosters / Lusa
José Sócrates
O ex-primeiro-ministro disse, esta segunda-feira, na fase de instrução da Operação Marquês, que a sua mãe recebeu uma herança, tendo-lhe dado parte do dinheiro que gastou em viagens.
Segundo uma fonte ligada ao processo, José Sócrates justificou ao juiz Ivo Rosa, no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, que a mãe, Maria Adelaide, tinha dinheiro porque nos anos 80 recebeu uma herança de um milhão de contos — cinco milhões de euros — e que lhe doou parte desse dinheiro, cerca de dez mil euros, para cada uma das viagens de lazer que fez enquanto primeiro-ministro e posteriormente.
Sobre a casa que habitou em Paris enquanto estudava (avaliada em três milhões de euros), e que o Ministério Público acredita ser sua propriedade, o ex-governante insiste em dizer que o imóvel é do seu amigo e também arguido Carlos Santos Silva e que nem sequer lhe deu conselhos sobre as obras de remodelação, contrariando a acusação.
Quanto aos empréstimos bancários que fez na Caixa Geral de Depósitos, Sócrates referiu que fez um de 120 mil euros que lhe permitiu viver e estudar um ano em Paris e que as despesas do segundo ano foram suportadas com os mais de 400 mil euros que a mãe lhe deu depois da venda da casa na Rua Braamcamp, em Lisboa, a Santos Silva.
Depois de cinco dias de interrogatório, no total de perto de 30 horas (sendo que este último foi o mais longo, tendo-se prolongado durante cerca de nove horas), Sócrates voltou a sair do tribunal satisfeito, dizendo aos jornalistas que todos os assuntos foram falados e que “não ficou pedra sobre pedra da acusação”.
“Estou satisfeito, foi muito exaustivo, percorremos todos os assuntos e não ficou pedra sobre pedra da acusação”, declarou.
Ivo Rosa, que já tinha proibido a entrada dos jornalistas assistentes do processo, obrigou ainda os advogados de defesa dos arguidos a deixarem os telemóveis e os ipads à porta para evitar fugas de informação.
No final do mês é a vez de Carlos Santos Silva, suposto testa-de-ferro de mais vinte milhões de euros, ser interrogado na fase de instrução, que funciona como um mecanismo de controlo jurisdicional da acusação do Ministério Público e que termina com a decisão do juiz de levar ou não a julgamento os arguidos e os termos em que isso acontece.
A Operação Marquês teve início em julho de 2013 e culminou na acusação a 28 arguidos — 19 pessoas e nove empresas — a 11 de outubro de 2017 pela prática de 188 de crimes económico-financeiros, entre os quais corrupção e branqueamento de capitais.
Sócrates, que esteve preso preventivamente e em prisão domiciliária, está acusado de 31 crimes económico-financeiros. O antigo líder socialista foi acusado pelo Ministério Público da alegada prática de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 crimes de branqueamento de capitais, nove crimes de falsificação de documento e três crimes de fraude fiscal qualificada.
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bem é melhor todos começar ajuntar os trocados do fim do mês para pagar a mais este chulo, mas Ivo Rosa como bom amigo dele ainda vai ganhar no final como menino bem comportado