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Ex-primeiro-Ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

O Ministério Público constata, na sua tese de acusação contra José Sócrates, que o ex-primeiro-ministro tinha um nível de vida com gastos excessivos que não se coaduna com a tese da defesa do ex-PM, que afirma que o dinheiro suspeito, no âmbito da Operação Marquês, respeita a empréstimos do amigo Carlos Santos Silva.

Estes dados são revelados pelo jornal i, que teve acesso ao último acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, em resposta a um recurso de Carlos Santos Silva.

Este documento, cita o diário, atesta “o nível de gastos” de José Sócrates, concluindo que “não se compatibiliza com a assumida falta de dinheiro em nome próprio”.

De acordo com o i, a investigação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) recolheu provas que indiciam que José Sócrates gastava, em média, mensalmente, quatro vezes mais do que ganhava como primeiro-ministro.

O ordenado do ex-governante no cargo rondaria os seis mil euros brutos por mês, mas o Ministério Público apurou que Sócrates gastava mais de 24 mil euros mensalmente, conforme cita o i.

Deste modo, o acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, citado pelo i, atesta que tais gastos não ocorreriam se Sócrates “não estivesse garantido com uma fonte de sobrevivência actual e/ou futura que lhe permitisse, pelo menos, a manutenção de um semelhante nível de vida”.

Além disso, os juízes da Relação duvidam do facto de um ex-primeiro-ministro “tratar da parte económica da sua vida pessoal por intermédio de outrem que, claramente, tem mais que fazer”. Uma alusão a Carlos Santos Silva

que, segundo a tese da acusação, funcionou como testa-de-ferro de José Sócrates.

No âmbito deste acórdão, frisa-se ainda que Carlos Santos Silva admitiu ter destruído provas, aquando da inquirição liderada pelo juiz Carlos Alexandre.

Depois de terem sido publicadas as primeiras notícias sobre o facto de José Sócrates estar a ser investigado, em Julho de 2014, o empresário “chamou alguns colaboradores chegados e tratou de dispersar a posse dos documentos relativos” às transferências e entregas de dinheiro a José Sócrates, constata o Ministério Público, de acordo com o i.

Nessa altura, Carlos Santos Silva terá destruído alguns dos documentos “e deslocou para parte incerta” outros, afiança o Ministério Público, conforme evidencia a mesma publicação.

ZAP