José Goulão / Flickr

Ex-primeiro-Ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

O Ministério Público terá identificado 10 esquemas utilizados por José Sócrates e pelo amigo Carlos Santos Silva para “camuflarem” as transferências de dinheiro entre ambos, verificadas entre 2012 e 2014. É o que adianta o jornal Expresso, notando que o ex-primeiro-ministro exigia os pagamentos.

De acordo com o semanário, o Ministério Público (MP) detectou uma quantia de 1,5 milhões de euros transferidos pelo empresário da construção civil para José Sócrates, entre o início de 2012 e Novembro de 2014.

Este montante seria relativo a viagens e férias pagas, a transferências bancárias indirectas e também a pagamentos em dinheiro vivo, conforme atesta o Expresso. E desses 1,5 milhões, 650 mil euros terão sido entregues em dinheiro vivo.

A entrega deste montante em notas terá sido detectada nas escutas telefónicas, onde José Sócrates se referiria ao dinheiro como “fotocópias”, “livros” e “folhas de dossier”. Estarão em causa 40 entregas de dinheiro e o Expresso realça que Sócrates não pedia, mas exigia os pagamentos a Carlos Santos Silva.

O Ministério Público terá cruzado as datas dessas escutas telefónicas com a altura em que se verificaram levantamentos bancários de uma conta de Carlos Santos Silva

para concluir as tais entregas de dinheiro vivo.

Além dos pagamentos directos ao ex-primeiro-ministro, o empresário terá também transferido quantias para pessoas próximas de José Sócrates, nomeadamente uma mulher residente na Suíça, com quem o ex-governante terá mantido um relacionamento e que terá recebido mais de 90 mil euros em seis anos, descreve o Expresso.

A ex-mulher de José Sócrates, Sofia Fava, também terá recebido pagamentos de Carlos Santos Silva. O empresário terá sido também o seu fiador quando Sofia Fava terá pedido um empréstimo de 760 mil euros para adquirir uma propriedade no Alentejo, segundo atesta o Expresso. Entre 2013 e 2014, a ex-mulher de Sócrates terá recebido 5 mil euros por mês provenientes de contas de Santos Silva.

Será com base nestes dados que o Procurador do MP, Rosário Teixeira, justifica a prisão preventiva de José Sócrates e de Carlos Santos Silva, considerando que estes esquemas atestam os “fortes indícios” de corrupção e também a possibilidade de os envolvidos virem a engendrar outras formas de ludibriar a investigação.

Entretanto, o ex-líder do movimento de extrema direita Hammerskins, Mário Machado, conta ao jornal Correio da Manhã que foi ele quem assaltou a casa do tio de José Sócrates, Celestino Monteiro. Ele também revela que se apoderou de documentos que confirmam movimentos bancários de 383 milhões de euros através de “offshores” em nome de familiares do ex-primeiro ministro.

Estes documentos foram publicados pelo próprio Mário Machado, em 2009, num sítio na Internet ligado à Extrema Direita. Na altura, ele disse à comunicação social que lhe tinham deixado os documentos, embrulhados num cobertor, à porta de casa.

SV, ZAP