José Cartaxo / Flickr

José Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal

José Sócrates foi escutado a pedir dinheiro a Carlos Santos Silva. O juiz Carlos Alexandre já terá mesmo confrontado os dois arguidos com essas escutas, em primeiro interrogatório judicial. 

De acordo com o Expresso, o despacho que fundamenta a prisão preventiva aplicada aos arguidos, assinado pelo juiz de instrução Carlos Alexandre, declara que José Sócrates foi escutado a pedir dinheiro ao amigo e coarguido Carlos Santos Silva.

Diário de Notícias avança que Santos Silva assume mesmo ter dado dinheiro a Sócrates, um montante cuja “generosidade” terá levantado as suspeitas entre as autoridades. O diário descreve que Santos Silva pagava o salário a João Perna, o motorista do ex-governante, e terá arranjado trabalho também para Sofia Fava, a ex-mulher de Sócrates.

As autoridades gravaram um telefonema em que o ex-Primeiro-ministro combinava a entrega do dinheiro e as suspeitas apontam para que estes pagamentos tenham funcionado como prestações dos 23 milhões de euros que estavam na Suíça, acreditando que pertenciam a Sócrates e que Santos Silva seria um testa de ferro.

De acordo com o semanário, o ex-chefe de Governo terá passado a receber uma avença de Joaquim Lalanda e Castro depois de este ter vendido equipamento a uma empresa de Carlos Santos Silva.

Esta informação foi cruzada com vários movimentos bancários ocorridos desde 2009, quando Santos Silva transferiu os 23 milhões para várias contas em Portugal. Há registos, nomeadamente no BES, de transferências das contas de Carlos Santos Silva para José Sócrates.

Não se sabe, no entanto, como é que o Ministério Público irá provar que este dinheiro pertencia ao ex-PM e que terá resultado do favorecimento em algum negócio, nomeadamente com o Grupo Lena.

Nas mais de 200 páginas do despacho que encerrou os interrogatórios dos arguidos, não é feita referência ou indicação a qualquer ato concreto de José Sócrates, enquanto Primeiro-ministro, que possa ter beneficiado o Grupo Lena, do qual Carlos Santos Silva foi administrador.

Segundo o Ministério Público, terá sido deste grupo a origem de grande parte dos 23 milhões de euros depositados na Suíça em nome de Carlos Santos Silva, mas que o procurador Rosário Teixeira considera ser José Sócrates o verdadeiro dono do montante.

O antigo Primeiro-ministro José Sócrates, o empresário Carlos Santos Silva e o motorista João Perna encontram-se em prisão preventiva no âmbito da Operação Marquês.

ZAP