Fernando Veludo / Lusa

José Sócrates “gastava o que tinha e o que não tinha”, mas contava sempre com o apoio da sua gestora de conta na Caixa Geral de Depósitos (CGD) para resolver as aflições financeiras. Esta é uma das ideias que consta do despacho de acusação contra o ex-primeiro-ministro.

O Correio da Manhã relata que José Sócrates é descrito pelo Ministério Público (MP) como “um consumidor compulsivo, que gastava o que tinha e o que não tinha”. Desta forma, por várias vezes terá tido aflições financeiras, mas sempre resolvidas com a pronta disponibilidade de dinheiro da CGD.

O diário nota que o ex-primeiro-ministro mantinha uma relação de grande proximidade com a sua gestora de conta, Teresa Veríssimo, que lhe transferia verbas a “qualquer hora”.

Numa das escutas telefónicas transcritas no processo, surge relatada uma situação em que o cartão bancário de Sócrates terá sido recusado num restaurante

, segundo reporta o CM. Logo, o ex-governante terá telefonado a Teresa Veríssimo para resolver o problema.

A gestora terá, então, alertado o antigo governante de que tinha comprado um casaco Prada de 4.100 euros para o filho, outro de mais de dois mil euros para si próprio e que tinha ainda gasto dez mil euros em hotéis de luxo e em restaurantes.

“Faço já um reforço, pago-lhe o extracto que vence dia 30 e fica com tudo ok, está bem?”, é citada a gestora de conta no processo.

Este tipo de situações terá ocorrido por diversas vezes, sempre com o “apoio incansável” de Teresa Veríssimo, refere o mesmo jornal.

José Sócrates foi acusado de 31 crimes económicos pelo Ministério Público: três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

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