José Sócrates afirma que o processo judicial de que é figura central resulta do “ódio político” com o objectivo último de o impedir de se candidatar à Presidência da República.
O antigo primeiro-ministro partilhou essa ideia numa entrevista ao jornal holandês NRC, conforme transcrição do Jornal de Negócios.
Sócrates classificou a Operação Marquês, investigação judicial onde é suspeito de crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fuga ao Fisco, como um processo “kafkiano” que resulta do “ódio político” contra si.
O ex-governante alega que se trata de uma tentativa da Justiça de impedir a sua eventual candidatura à Presidência da República, embora releve que tal “nunca fez parte da sua ambição”.
“Não há provas contra mim”, reafirma Sócrates, realçando a sua “total inocência”.
Passados cerca de 15 meses desde a sua detenção sem que tenha sido formalizada qualquer acusação contra si, o ex-primeiro-ministro releva que é “inacreditável que tal coisa seja possível em democracia”.
Assumindo os “momentos difíceis”, Sócrates garante que reserva o “estado de espírito combativo” contra os que mediatizaram a sua detenção e acusa ainda a imprensa de “conluio” com a Justiça.
Na entrevista, Sócrates também deixa críticas a Passos Coelho, que assumiu as rédeas do Governo depois da sua saída, acusando-o de ter entregue o país às autoridades europeias e de ter retirado a esperança às pessoas, forçando-as a emigrar.
Também deixa agradecimentos a António Guterres, pelo apoio que lhe terá dado e por lhe ter entregue os cumprimentos de Jean-Claude Juncker, o actual presidente da Comissão Europeia.
Finalmente, Sócrates falou do poeta francês René Char, associado aos tempos da resistência, sublinhando que o ajudou a passar os dias na prisão em Évora – um pretexto para lembrar que o PS também foi criado num ambiente de resistência, com muitos líderes socialistas detidos.
ZAP
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