José Coelho / Lusa

Para o ex-primeiro-ministro José Sócrates, o Montijo é a pior opção a nível ambiental, a única que não foi comparada e mais lenta do que Alcochete.

A decisão de construir um novo aeroporto que sirva Lisboa no Montijo não agrada ao antigo primeiro-ministro José Sócrates.

Num artigo de opinião, publicado esta quarta-feira no Expresso e intitulado O novo aeroporto de Lisboa decide-se em Paris, Sócrates começa por dar os parabéns ao líder do PSD, Rui Rio, e ao atual primeiro-ministro, António Costa, por “finalmente” reconhecerem a necessidade de um novo aeroporto em Portugal.

“Depois de anos e anos de negação”, é um avanço. Ainda assim, critica a escolha de o construir no Montijo por diversos motivos.

José Sócrates aponta inicialmente o dedo à questão ambiental, referindo que “nenhum novo aeroporto internacional de uma capital europeia deve ser construído perto de uma cidade ou ao lado de uma área protegida”, uma vez que nem a legislação europeia sobre o ruído e sobre a conservação da natureza o permitem.

“Não é possível dizer que a salvação do planeta é a missão das nossas vidas e, no mesmo momento, decidir que vamos construir um novo aeroporto junto a uma área protegida, na área húmida mais importante do país e junto a uma cidade de mais de trinta mil habitantes. Não, não é a melhor maneira de começar”, atira o antigo governante.

A política ambiental é o segundo senão apontado por Sócrates, que não permite o estudo de “um único local, previamente decidido” quando o objetivo é a construção de “um novo aeroporto internacional com pista acima dos 2.100 metros”.

“Se a solução Montijo for adotada ela será a única opção – repito, a única – que nunca teve um estudo de comparação com qualquer outra alternativa”, critica.

O responsável pela escolha do Montijo é também criticado no artigo de opinião. Para Sócrates, quem escolheu a localização do novo aeroporto terá sido a empresa Vinci, a quem foi vendida a empresa ANA.

“Depois, temos ainda a questão financeira. A empresa francesa Vinci a quem foi vendida a empresa ANA (numa privatização feita sem concurso público e corajosamente considerada pelo atual ministro como um negócio ruinoso) afirma que a solução Alcochete constituiria um incomportável investimento. Ora bem, não há outra forma de o dizer – o argumento não passa de uma artimanha“, escreve.

“Durante anos e anos, a decisão de construir um novo aeroporto, baseada em previsões realistas e no que era o óbvio interesse nacional, foi alvo de injustas e demagógicas acusações de despesismo, de esbanjamento de recursos e de megalomania. Eis o resultado: pagaremos durante anos o preço de nada ter feito e viveremos vários anos com um aeroporto internacional congestionado”, afirma o antigo líder socialista.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=””]