O aumento da participação feminina no setor nuclear ajudaria a reduzir a ameaça de um Apocalipse, afirmou recentemente a analista Xanthe Scharf.

O conflito nuclear continua a ser a maior ameaça imediata à segurança global. Os Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Israel, Paquistão e Coreia do Norte são atualmente os Estados com armas nucleares e possuem, aproximadamente, 15 mil ogivas nucleares.

Esta semana, foi levantada a ponta do véu sobre um possível conflito armado, após o abrandamento frio das conversações entre os EUA e a Rússia. No entanto, apesar de ser importante ter uma política nuclear sólida e estável para a segurança dos EUA e do mundo, no caminho para a melhoria um fator claro foi negligenciado: ter mais mulheres no campo.

Pesquisas mostram que, sem a participação das mulheres na gestão nuclear, o potencial comportamento de risco nesta área é muito maior, os acordos negociados são menos propensos a manterem-se ativos e as ideias inovadoras são postas de lado.

Um estudo de 2016, publicado na Royal Society, provou que os homens, em cenários de guerra simulados, são mais propensos a demonstrar excesso de confiança do que as mulheres. O estudo mostra assim os benefícios em garantir que as mulheres são totalmente representadas neste tipo de funções políticas de alto nível.

A pesquisa mostra também que os acordos nucleares bilaterais e os compromissos globais, como o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, seriam mais fortes com a participação das mulheres.

Num artigo publicado na revista Foreign Policy

, a analista Xanthe Scharf sublinha que os estudos realizados no campo da manutenção da paz revelaram os benefícios associados ao aumento da participação feminina. Atualmente, as mulheres representam apenas 25% das delegações nas negociações sobre a não proliferação de armas nucleares.

A colunista lembrou que as mulheres desempenharam um papel importante na área de segurança nuclear e no desenvolvimento da política nuclear nos anos 1950, período em que constituíam 20% dos funcionários da CIA, a agência de inteligência civil do Governo norte-americano.

Contudo, entre 1970 e 2019, apenas 11 dos 68 de altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos eram mulheres, apenas cinco de 63 no Pentágono e apenas dois dos 21 conselheiros de Segurança Nacional do país pertenciam ao género feminino.

Xanthe concluiu que o aumento do papel das mulheres no mundo não é apenas um problema de justiça social. O mais importante é que as questões de segurança nuclear são de enorme risco e “o mundo não se pode dar ao luxo de excluir e ignorar inovações e talentos”.

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