O Pavilhão Rosa Mota, no Porto, reabre esta segunda-feira com um novo nome, que inclui a designação comercial de um patrocinador e a inscrição da antiga campeã olímpica.

Mas Rosa Mota não gostou. Disse sentir-se “enganada” pela Câmara Municipal do Porto. A sua insatisfação vai refletir-se mesmo na sua ausência na cerimónia de reabertura do antigo Palácio de Cristal.

Em causa está o nome original do pavilhão surgir em letras pequenas, ao contrário do nome do patrocinador. No novo nome, em letras garrafais anuncia-se a nova “Super Bock Arena” e em letras mais pequenas, escreve-se “Pavilhão Rosa Mota”.

“Quando recebi o convite do senhor presidente da Câmara para a reabertura do Pavilhão, e no qual está escrito ‘Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota’ senti-me definitiva e claramente enganada“, escreve na carta enviada aos 13 vereadores da autarquia, a que o Diário de Notícias teve acesso.

Rosa Mota estava convencida de que o nome do espaço seria “Pavilhão Rosa Mota – Super Bock Arena”. “Comunico a todos os vereadores, em primeira mão, que não dou a minha anuência a algo que parece estar definitivamente estabelecido e que não foi o que foi acordado.”

No ano passado, aquando da discussão no executivo camarário deste “branding comercial”, a Câmara do Porto disse que “à designação toponímica que se manterá como Pavilhão Rosa Mota, o concessionário poderá acrescentar, para efeitos de comercialização, o branding Super Bock Arena”.

Em comunicado, a Câmara Municipal do Porto diz agora que o pavilhão “embora batizado com o nome da atleta, não tinha qualquer inscrição do seu nome nem na fachada em em nenhum local visível”. “Nunca teve, aliás.”, acrescenta.

Para a Câmara, no processo de reabilitação do pavilhão, que estava “em pré-ruína e praticamente inutilizado pela degradação e falta de manutenção”, segundo a autarquia, “ficou assegurado que ninguém poderia retirar o nome da atleta da designação formal, mas que também no uso comercial o seu nome teria sempre que estar presente”.

Desconhecemos o que estava em jogo, o que negociaram as partes e que tipo de contrapartidas incluía tal negociação, tentada à margem do processo público de concessão. Não fomos pela atleta ou pelo seu representante convidados a participar em tais reuniões”, escreve a autarquia.

Para o executivo de Rui Moreira, o nome de Rosa Mota “está mais do que nunca protegido”, não compreendendo como “alguém se possa considerar mais respeitado dando nome a um edifício em pré-ruína e sem uso, do que num moderno centro de congressos onde a sua designação está claramente inscrita”.

Marcelo e oposição também não vão à inauguração

A oposição, que havia votado contra a mudança de nome do pavilhão, mostrou-se desagradada com o aspeto das letras do novo pavilhão e anunciou que não estaria presente na inauguração do edifício, esta tarde. Aquilo que ficou aprovado, disseram em uníssono, foi um acrescento da marca Super Bock Arena ao nome pavilhão Rosa Mota e não o contrário.

Manuel Pizarro, do PS, disse, de acordo com o jornal Público, que existem ainda todas as condições para alterar o aspeto do nome, se houver “vontade política”.

Da CDU, Ilda Figueiredo pediu que a câmara solicitasse aos promotores que alterasse o nome. “A cidade sente que a atleta está a ser menorizada. Também o vereador do PSD, Álvaro Almeida, sublinhou que o que ficou decidido não é exactamente aquilo que foi concretizado. “A resolução previa um acrescento do Super Bock Arena e não o contrário”.

De acordo com a TSF, o Presidente da República decidiu não estar presente na cerimónia de inauguração. A Presidência da República justifica a ausência de Marcelo Rebelo de Sousa com a necessidade de fazer exames médicos.

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