Justin Lane / EPA

A paralisação do Governo norte-americano não está a ser inofensiva. Pelo contrário: 25% dos funcionários de várias agências e departamentos públicos estão sem rendimentos e, por isso, desesperados face às despesas.

Desde guitarras a bíblias, mesas de massagem ou lençóis da Nintendo: os funcionários públicos norte-americanos estão desesperados e a vender bens pessoais para fazer face à falta de rendimentos.

Segundo o Público, o encerramento parcial dos serviços públicos afeta 25% das agências, num total de 800 mil funcionários, alguns enviados para casa e outros a trabalhar sem salário desde 22 de dezembro. Em causa está o impasse no Congresso para aprovar uma verba de 5,6 mil milhões de dólares para a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México.

Os anúncios da venda de bens pessoais podem ser encontrados em sites como o eBay ou nas redes sociais, onde os apelos de funcionários com a corda ao pescoço se vão multiplicando nos últimos dias, denuncia o The Washington Post.

Até agora, o Departamento de Administração e Orçamento norte-americano apenas tem encorajado estes funcionários a falarem com credores e agências de hipotecas. A Guarda Costeira, por sua vez, publicou uma lista de dicas, na qual sugere aos funcionários que vendam coisas online ou façam part-times enquanto baby-sitters para sobreviver.

“Apesar de não ser agradável lidar com estas situações, o melhor é não enterrar a cabeça na areia. Mantenha-se no controlo da situação, percebendo claramente o que está a acontecer”, lia-se no documento publicado pela Guarda Costeira, que entretanto foi removido do site.

Há no Facebook um grupo que se dedica exclusivamente à venda de objetos de funcionários federais. Criado por Jay Elhard, funcionário do Parque Nacional Acadia, no Maine, no grupo vendem cópias de teses de pós-graduação ou mochilas de fibra de carbono usadas para caminhadas no Parque.

Em relação ao muro, o Presidente Donald Trump e o Partido Democrata, agora com maioria no Congresso, estão irredutíveis na negociação da construção. O impasse nos Estados Unidos parece não ter fim à vista – e o tic-tac do relógio parece um ruído impossível de suportar para os funcionários públicos norte-americanos.

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