A sensação de déjà vu, de já ter visto ou sentido alguma situação antes, era até hoje um mistério, mas investigadores da Escócia têm uma nova explicação para essa estranha particularidade do cérebro.
Segundo Akira O’Connor, da Universidade de St Andrews, o déjà vu pode ser apenas resultado do nosso cérebro a verificar o seu próprio sistema de memória.
“O déjà vu é caracterizado por uma falsa sensação de familiaridade, acompanhada da consciência de que essa familiaridade não pode ser correta”, afirma o investigador ao Digital Trends.
Para realizar o estudo, os cientistas tentaram provocar artificialmente o déjà vu recorrendo a um método que funciona com a maioria das pessoas para criar falsas memórias, apresentando aos participantes uma série de palavras interligadas, sem revelar a palavra que as ligava, descreve a revista New Scientist.
Por exemplo, as palavras cama, almofada, sonho e noite foram todas apresentadas, mas o termo dormir, que liga todas estas, foi omitido.
Para certificar-se de que os participantes não tinham ouvido a palavra dormir, os investigadores perguntaram se eles ou não ouvido alguma palavra que começava com “D”, ao que responderam negativamente.
No entanto, quando os participantes foram mais tarde questionados sobre as palavras que tinham ouvido, a maioria pensava que se lembrava de ouvir a palavra dormir, apesar de saber que não a tinham ouvido, resultando numa sensação estranha de déjà vu em cerca de dois terços dos participantes.
Verificação de erros
Recorrendo à ressonância magnética funcional (fMRI), a equipa de investigadores observou que, quando o déjà vu ocorreu, as regiões mais ativas do cérebro dos participantes não foram aquelas normalmente associadas à memória, como o hipocampo.
Em vez disso, as áreas que se iluminaram durante a experiência de déjà vu foram as áreas frontais, tipicamente envolvidas na tomada de decisão.
Akira O’Connor, que tem vários artigos publicados sobre o tema, acredita que essas regiões frontais provavelmente monitorizam as nossas memórias à medida que são reproduzidas, à procura de erros no seu conteúdo. Como resultado, elas tornam-se ativas quando detectam uma irregularidade.
Os resultados recentes da investigação foram apresentados em julho na Conferência Internacional sobre Memória, em Budapeste.
Embora mais estudos sejam necessários para validar a teoria, esta sugere que o cérebro se envolve numa espécie de controlo de qualidade, monitorizando as próprias atividades, e sinalizando quaisquer erros que possam ocorrer.
Neste contexto, são as áreas frontais que parecem fazer a verificação de inconsistências entre o que lembramos que aconteceu e o que sabemos que aconteceu.
Não acho que ficou finalmente explicada a sensação de dèjá-vu. Pelo que percebi do artigo, as experiências baseiam-se numa associação de palavras e isso não é dèjá-vu. Toda a gente sabe que o cérebro tem a capacidade de associar palavras quando falta palavras ou letras, é por isso que existem aqueles jogos engraçados em que se troca certas palavras por números e por associação conseguimos ler corretamente o que está escrito, porque o cérebro associa a frase com o que está em falta. Já tive experiências de dèjá-vu em que uma certa situação ou uma conversa com alguém dá-me a sensação que já aconteceu anteriormente apesar de saber que foi a 1ª vez que isso aconteceu. Como se já tivesse vivido aquela cena, aquela conversa na totalidade, aquela situação em particular. Não é uma associação de algumas palavras, é uma situação específica.