António Pedro Santos / Lusa

PSP inspecionou a atividade de segurança privada em mais de sete mil estabelecimentos em 2015. E 13% dos vigilantes estavam ilegais.

Para ser segurança privado em Portugal, ter o registo criminal limpo é uma das condições exigidas, pela autorização que é concedida pela PSP, desde a entrada em vigor da Lei nº 34/2013 (Regime Jurídico de Segurança Privada), escreve o Diário de Notícias.

No entanto, queixas na PSP, reincidências no crime de agressão, processos em tribunal não retiram a licença a nenhum segurança privado, razão pela qual os profissionais que foram filmados a bater em dois jovens continuam a poder exercer a função de seguranças.

Só ficarão impedidos de a exercer se forem condenados “por sentença transitada em julgado, pela prática de crime doloso previsto no Código Penal”.

Por outro lado, a empresa empregadora não fica sem o alvará de funcionamento

por casos de justiça que envolvam os seus trabalhadores, ainda que estes sejam condenados.

São estas razões que levam quem está no terreno a defender alterações à lei. O governo diz que as questões estão em análise e convocou o Conselho de Segurança Privada para uma reunião na sexta-feira.

De acordo com uma fonte da PSP, o problema adensa-se porque há “dificuldade em fazer prova em tribunal, além de que há pessoas que acabam por desistir”, acabando então com a maioria das queixas a ser arquivadas.

Só este ano, os seguranças da PSG foram alvo de 38 queixas, mas nem a PSP, nem a Procuradoria-Geral da República conseguem especificar quantos chegaram a tribunal porque não registam “as queixas por tipo de atividade ou estabelecimento”.

A PSG, no entanto, lamentou a situação e prometeu agir através de processos disciplinares e “deliberou cessar todos os contratos referentes a estabelecimentos de diversão noturna, com a finalidade de se distanciar de situações semelhantes, já que, malogradamente, não conseguiu evitar as ocorridas”.

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