“Preta de merda, queres apanhar um autocarro, apanhas no teu país.” As palavras terão sido proferidas por um Segurança dos Transportes do Porto antes de ter espancado brutalmente uma jovem de 20 anos, na madrugada da noite de S. João no Porto. A polícia foi chamada ao local e não fez nada, acusam testemunhas do incidente.
Nicol Cunayas, 21 anos, uma jovem colombiana que vive em Portugal desde os 5 anos de idade, foi “esmurrada repetidamente” por um segurança do Serviço de Transportes Públicos do Porto, conforme reporta o Diário de Notícias.
A jovem acusa o homem de agressão e de racismo, e também critica a PSP, que foi chamada ao local, mas que não terá sequer registado a ocorrência, nem identificado o segurança.
Nicol estava na paragem do autocarro 800, no Bolhão, acompanhada pelas amigas Daniela Marques e Tânia Mendes, de 20 e 21 anos. Aguardavam transporte para voltar para casa, depois da noite de São João.
(dr) Nicol Quinayas
“Tu aqui não entras preta de merda, queres apanhar um autocarro, apanhas no teu país.” Terá atirado o segurança à jovem, segundo relata o DN.
Uma testemunha, Cassiano Ferreira, copeiro de 24 anos, conta ao jornal que o suposto agressor falou em “pretos” e diz que foi “um caso de abuso de autoridade simples“.
“Ela [Nicol] depois de ouvir aquelas coisas passou-se e mandou-o para a puta que o pariu. Ele – que é quase duas vezes eu, vê-se que faz culturismo – agarrou-lhe o pescoço. Ela tentou defender-se e tirar as mãos dele e ele dá-lhe o primeiro soco direccionado ao nariz, ela manda-se a ele furiosa e ele dá-lhe outro soco seguido de um gancho, daqueles socos de baixo que deixam as pessoas KO. Ela cai ao chão e ele mete-se em cima dela em posição de apreensão a torcer-lhe o braço para trás”, conta esta testemunha ao DN.
Cassiano refere que havia “imensa gente a ligar para a polícia” e lamenta que quando os agentes chegaram só falaram com o segurança que alegou que estava “a tentar apreendê-la” e que “ela ofereceu resistência”. A polícia “não perguntou nada a ninguém”
, conta a testemunha.“Queixa só foi registada por insistência da agredida”
Contactada pelo DN, a PSP não soube explicar porque é que o incidente não foi registado pelos agentes que foram ao local.
A amiga de Nicol, Tânia, que a descreve como “mulata” e se diz “preta”, lamenta também no DN que “a atitude da polícia foi vergonhosa“. “Não fizeram nada, não nos defenderam”, queixa-se.
A SOS Racismo emitiu, entretanto, um comunicado onde refere que a queixa “já foi registada, por insistência da agredida”. A entidade espera, agora, que “a averiguação dos factos ocorra de forma célere”, nomeadamente com a auscultação das testemunhas que não duvidam de que “as agressões foram motivadas por ódio e acompanhadas de declarações de racistas”.
Notando que “condena veemente este tipo de agressões”, a SOS Racismo também exige à Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial, à STCP e à empresa para quem o segurança trabalha, a 2045, que tomem posições públicas de condenação do sucedido. Também apela a que tomem “todas as medidas necessárias para punir o(s) responsável (eis), para que o Racismo e a Violência não passem impunes”.
O Serviço de Transportes do Porto, que identifica o suposto segurança como um “fiscal”, referiu ao DN que já abriu um processo interno de averiguações e que o homem está suspenso de funções.
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Boa noite.
É preciso cuidado pois um dia pode estar aflito e a Policia não aparece. Não me ponho nem de um lado nem do outro pois não tenho conhecimentos para me pronunciar.