Alberto Estevez / EPA

Confrontos entre catalães e a Guardia Civil espanhola durante protestos e referendo pela independência da Catalunha

Carles Puigdemont, afirmou que “sempre foi possível para a Catalunha outra solução que não a independência”. O líder catalão garantiu que trabalhou num melhor relacionamento entre Catalunha e Espanha, adaptado aos novos tempos, mas os seus esforços foram travados pela chegada ao poder de José María Aznar.

O porta-voz da ERC, Sergi Sabrià, por sua vez, disse na segunda-feira que a república declarada no parlamento catalão nunca chegou a existir de facto, porque o governo catalão não estava preparado para “a violência do Estado”.

O porta-voz do maior partido independentista é o favorito para as eleições de 21 de dezembro e explicou a necessidade que os independentistas tiveram de traçar uma linha vermelha: “O país e o governo não estavam preparados para fazer frente a um Estado autoritário e sem limites na hora de aplicar a violência”, relata o Sol.

Sergi Sabrià garante que a intenção dos independentistas era assumir a proclamação da república, mas que o governo espanhol fez saber que recorreria a todos os meios, mesmos os violentos, para a evitar: “Não queríamos comprovar com mortos” até onde podia chegar a resposta do Estado.

Ao mesmo tempo, a revista “Interviú” revela um plano militar. Segundo a publicação, caso a proclamação de independência fosse seguida de uma tentativa do governo catalão de concretizar a autodeterminação, o governo espanhol daria ordem para avançar com o “Plano C”.

O plano concretizava-se em assaltar o edifício da assembleia catalã com 300 agentes da unidade de elite da guardia Civil e Polícia Nacional, no dia 10 de outubro, quando Puigdemont foi ao palanque do parlamento catalão declarar a independência, para depois a suspender.

Além disso, o Governo espanhol contava enviar 250 agentes para expulsar a multidão que poderia estar concentrada à porta do edifício, e os restantes entrariam pelos esgotos e por meio de helicópteros. Segundo a revista espanhola, os efetivos dos Mossos d’Esquadra presentes no edifício receberam avisos claros para deixarem passar as unidades da polícia espanhola.

A “Interviú” afirma que este plano só seria posto em marcha se os manifestantes cercassem o parlamento para o proteger, se o governo se entrincheirasse lá e se a independência fosse proclamada. Nesse dia, Puigdemont suspendeu a independência e os manifestantes foram convocados para o Arco do Triunfo, a mais de 500 metros do parlamento.

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