Paulo Novais / Lusa

Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (c), ministro da Defesa Azeredo Lopes (e) e Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Rovisco Duarte (d), em visita aos Paióis de Tancos

O relatório das Secretas Militares feito na sequência do roubo de armamento da Base de Tancos critica duramente o ministro da Defesa e o Chefe de Estado-Maior do Exército. Também traça como possível destino das armas de guerra o Daesh ou o crime organizado.

Estes dados são divulgados pelo semanário Expresso que teve acesso ao relatório de 63 páginas elaborado cerca de um mês depois do anúncio do furto na Base de Tancos, de onde foi levado diverso material de guerra.

Classificando o caso de “extrema gravidade” e notando que deve ser “investigado e definidas todas as consequências”, o relatório aponta a actuação do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, como de uma “arrogância quase cínica” e de “ligeireza, quase imprudente”.

Também o Chefe de Estado-Maior do Exército, o General Rovisco Duarte, é criticado porque, embora tenha assumido as suas responsabilidades, “não terá tirado consequências” das mesmas.

O dedo é apontado ao General e ao ministro por “não terem dado aos paióis o tratamento de infraestrutura crítica no âmbito da sua protecção”, conforme cita o Expresso. Para as Secretas Militares, o roubo indicia também “fragilidade de liderança e da capacidade de gestão de crise, quer ao nível militar, quer ao nível político”.

Azeredo Lopes disse a semana passada que o Governo “fez o que devia ser feito e num tempo muito curto”, revelando também a abertura de três processos disciplinares no Exército.

Antes destas declarações, o ministro da Defesa terá sido alvo da chacota dos militares depois de ter referido no Parlamento que “no limite, pode não ter havido furto”, dada a ausência de provas.

No relatório das Secretas Militares, que foi enviado para a Polícia Judiciária e para o Serviço de Informações de Segurança, constam ainda vários cenários para o que aconteceu, conforme refere o Expresso. E há duas hipóteses notadas como “muito prováveis”.

Uma das possibilidades aponta que pode ter havido cumplicidade de militares da Base com elementos do crime organizado, nomeadamente visando o tráfico de armamento para África e a intervenção de mercenários portugueses contratados.

A outra hipótese sugere que o assalto pode estar relacionado com o terrorismo islâmico do Daesh, conforme já surgiu também mencionado na comunicação social.

Marcelo quer perceber se “houve ou não houve crime”

O Presidente da República e o primeiro-ministro afirmaram não ter conhecimento do relatório divulgado pelo Expresso.

Em declarações prestadas na Festa do Outono em Serralves, no Porto, Marcelo Rebelo de Sousa diz que não leu o relatório nem sequer “a notícia sobre o relatório”, acrescentando que “ninguém esperaria que o Presidente da República comentasse uma notícia sobre um relatório secreto, de um serviço secreto”, e reforçando a necessidade de se perceber se “houve ou não houve crime”. Caso tenha havido, é preciso saber “como é que aconteceu e quem são os responsáveis”.

Já António Costa disse desconhecer “em absoluto” o relatório, não querendo comentar “assuntos desta relevância no meio de uma campanha eleitoral”, como refere numa acção de campanha das autárquicas em Lagos.

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