Carlos Santos / Lusa
O secretário-geral do PS, António Costa
António Costa considera que se o PS não tiver uma maioria absoluta nas eleições legislativas, Cavaco Silva não o deixará fazer governo e manterá o actual executivo no poder até Abril.
Uma posição defendida pelo líder do PS em entrevista ao Observador, onde destaca que “é sempre saudável que os governos sejam maioritários” e que o seu partido tem como meta “constituir uma maioria“, mas que esta não se pode confundir com “auto-suficiência”.
“No contexto actual, em que o Presidente da República decidiu marcar as eleições para uma data onde ele próprio já tem os poderes muitíssimo limitados, mas onde resolveu impor a condição original de que não aceitará governos minoritários, creio que os portugueses percebem que têm uma escolha muito clara pela frente: ou dão condições de governação maioritária ao PS ou terão de ver arrastar em agonia a actual coligação, em governo de gestão, pelo menos até Fevereiro do próximo ano. Ou, se houver segunda volta nas eleições presidenciais, quem sabe até Abril
do próximo ano”, destaca António Costa, concluindo que este quadro seria “extremamente negativo”.Na conversa com o Observador, António Costa fala ainda da escolha do governador do Banco de Portugal, manifestando-se contra a continuidade de Carlos Costa no lugar, e assegura que o objectivo da descida da TSU (Taxa Social Única) dos trabalhadores é “absolutamente intocável”.
Algumas das declarações de António Costa na entrevista:
Sobre a descida da TSU
“É absolutamente intocável. Se há algo que resulta para mim claro do documento dos economistas é que nós não conseguiremos ter a margem de manobra para fazer as reformas estruturais necessárias se não aliviarmos a pressão económica sobre a sociedade. E para a aliviarmos temos que descomprimir o rendimento das famílias, temos que criar condições para as empresas investirem e temos que ter uma redução significativa do nível do desemprego.”
“Temos que fazer aquilo que é o contrário do que é possível esperar: habitualmente as pessoas dizem que é preciso crescer para ter emprego, nós estamos numa situação em que temos que ter emprego para ter crescimento.”
Sobre o Governador do Banco de Portugal
“Compete ao Governo fazer uma proposta, manda a boa tradição democrática que os governos consultem as oposições antes de tomarem iniciativas desta natureza e, sobretudo tendo em conta o calendário tão particular como o que estamos a viver, será para mim impensável que o Governo tome a iniciativa de convidar quem quer que seja para governador do Banco de Portugal sem que seja numa consulta com o PS.”
“É necessário também garantir que não possamos ter um governador que se conforme com o grau de… governamentalização da administração e dos serviços do Banco de Portugal como tem acontecido – pela primeira vez na história do Banco nos últimos anos. Era desejável que pudéssemos ter um Banco de Portugal acima da conflitualidade política e não como parte do combate político.”
ZAP
Exemplo de "boca no trombone" à espera que papagaios lhe dêem eco.
Que raio de campanha! Adivinhar o que é exclusivo do futuro e da cabeça de um, é desenhar cenários, qual bruxo de ocasião!