José Sena Goulão / Lusa
O secretário-geral do PS, António Costa, com Carlos César (esq) e Eduardo Ferro Rodrigues (dir)
A direção socialista quer convocar todos os militantes para dizer sim ou não a um eventual acordo do PS com o PCP e o Bloco.
A garantia foi avançada este domingo ao Diário de Notícias por uma fonte da direção socialista.
A ideia original, de acordo com o DN, partiu de Vítor Ramalho, dirigente histórico do PS e membro da Comissão Política Nacional do partido, amigo próximo de Mário Soares e apoiante de Costa nas primárias que afastaram António José Seguro da liderança do partido.
Ramalho defende que o eleitorado “não deu ao PS a possibilidade de governar sozinho” e a perspectiva dos socialistas liderarem um governo apoiado pelo PCP e pelo BE significa uma “alteração profunda” do compromisso do partido, o que justificaria o referendo interno.
O dirigente afirma ao DN preferir que o PS se mantenha na oposição, “condicionando profundamente” as políticas de um novo executivo Passos-Portas, mas aceitará todas as decisões que forem tomadas pelos militantes.
A consulta, a realizar-se, acabará por funcionar como um referendo à própria liderança de António Costa, já abalada com a saída de Sérgio Sousa Pinto, antigo líder da JS apontado como crítico da opção governativa à Esquerda.
A solução de um referendo para decidir opções governativas não é inédita, nem no PS nem entre os partidos socialistas em geral. Em 1983, o Partido Socialista, liderado por Mário Soares, venceu as legislativas, coligando-se com o PSD – naquele que ficou conhecido como Bloco Central – depois de um referendo interno no PS em que os militantes aprovaram o acordo.
Vítor Ramalho recorda ainda referendos semelhantes pelos partidos socialistas na Alemanha e em França: o de 2013, em que os militantes alemães viabilizaram o acordo de coligação com a CDU de Angela Merkel, e a consulta a todo o “povo de esquerda” que acontecerá no próximo fim de semana para que os socialistas franceses aprovem os entendimentos à esquerda tendo em vista as próximas eleições regionais.
O resultado das reuniões dos últimos dias serão apresentadas por António Costa à Comissão Política Nacional do PS esta segunda-feira à noite.
ZAP
O Santos disse tudo. Em primeiro lugar nos partidos vêm os interesses pessoais, de currículo, de interesses, de acesso ao poder decisório que envolve dinheiro do povo, etc etc. O país fica em último lugar.