(td)(dr) Gradiva / record.pt
O jornalista José António Saraiva, ex-director dos semanários Expresso e Sol, actualmente cronista no jornal desportivo Record
“O livro proibido”, como já é conhecido, ainda não chegou às bancas, mas já está a causar polémica. A obra de José António Saraiva contém revelações de cariz sexual sobre políticos e ninguém parece perceber como é que Passos Coelho aceitou apresentá-la.
“Eu e os políticos”, o livro de 264 páginas da autoria de José António Saraiva, ex-director dos semanários Expresso e Sol, conta histórias íntimas de 42 figuras públicas portuguesas.
O livro inclui “revelações sobre orientação sexual, infertilidade, ódios de estimação, intrigas, insultos e jogos de bastidor”, adianta a revista Visão.
A publicação já fala em “Saraivaleaks” para realçar o impacto que o livro, que só vai ser apresentado a 26 de Setembro próximo e por Passos Coelho, já está a causar na sociedade e na política portuguesas.
O JN sustenta mesmo que o facto de Passos Coelho ter aceite apresentar a obra “incomodou vários dirigentes do PSD e do CDS, que não compreendem a decisão”.
Alegada foto de Portas “vestido de mulher”
Um dos capítulos do livro será dedicado a Paulo Portas, com o Correio da Manhã a revelar que José António Saraiva escreve que tem “uma foto de Portas, de há 10 ou 15 anos, vestido de mulher, aplaudido por homens com aspecto horrível”.
O CM ainda refere que o jornalista também salienta uma alegada conversa que terá tido com o já falecido Miguel Portas, sublinhando que lhe disse, “com um ar perfeitamente natural” e sem lhe “pedir segredo”, que “o irmão nunca seria líder do CDS.
“O Paulo é homossexual e teme que, com a exposição que o cargo lhe daria, isso pudesse vir a público”, explica.
Um dos vice-presidentes da bancada parlamentar do PSD, que não é identificado, revela ao JN que “não se entende” como é que Passos Coelho, que também é visado no livro, embora num “tom elogioso”, segundo o jornal, aceitou apresentar o livro.
“Mas o próprio também não sabia no que se estava a meter ou que se falava de Paulo Portas nesses termos. Assumiu esse compromisso com o autor”, refere esse vice-presidente social-democrata.
Já um líder do CDS, também não identificado, sustenta no JN que a obra “é uma coisa suja” e que “associar-se a ela, deixa-me sem palavras”.
“Fico muito surpreendido que uma pessoa com este currículo no jornalismo decida terminar a sua carreira com um livro de mexericos. Não se compreende”, diz ainda Morais Sarmento.
“Episódios relevantes para a história”
O autor justifica-se, em declarações ao Observador, salientando que o livro “descreve muitos episódios relevantes para a história dos últimos 40 anos, contados pelos próprios protagonistas”.
José António Saraiva também refere que “ninguém leu [a obra] até ser entregue ao editor”.
“Nem a minha mulher. Se lesse, não me deixava publicar”, realça o ex-director dos semanários Expresso e Sol.
O Correio da Manhã afiança que “Eu e os políticos” contém informações de “diários” que o ex-director do Sol “fez ao longo dos anos, com notas de conversas em almoços, jantares e de telefonemas”.
O “bom malandro” Santana Lopes e as fotos de Fernanda Câncio
Santana Lopes é um dos visados no livro, onde segundo o JN é descrito como o “bom malandro”.
Saraiva conta que o actual presidente da Santa Casa da Misericórdia lhe contou que “namoriscou, no Algarve, uma hospedeira de 18 anos” e que terminou a relação com Cinha Jardim por esta “acreditar em bruxas”.
O CM revela que o livro conta que um namorado de Fernanda Câncio, jornalista que namorou com José Sócrates, “tinha espalhadas pela casa fotografias em que mantinham relações sexuais”.
A mesma Fernanda Câncio é uma das personalidades que se manifestou contra o que chama de “o crime de José António Saraiva”, num artigo de opinião no Diário de Notícias.
“Nunca antes, à excepção de um episódio com imagens vídeo de sexo dadas à estampa há 30 anos, se foi tão longe na deliberação da devassa gratuita da intimidade, sem outro objectivo que não o de devassar, ferir e lucrar com isso”, escreve Câncio.
E “se de cama falar com o José António Saraiva, depois não se queixe”, sublinha Elisabete Azevedo-Harman no Público.
Nem Carlos César, presidente do PS, resistiu a falar do assunto.
Durante a sessão de abertura da conferência intitulada “Desigualdade, território e políticas públicas” que assinala a rentrée política dos socialistas, referindo-se ao “livro sobre mexericos” que será “afanosamente apadrinhado pelo líder do PSD”.
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Bom dia,
Não interessa quem escreve ou apresenta.
A ser verdade as histórias importa uma vez mais reflectir sobre a N/ politica que de série e honesta pouco ou nada tem.
Os políticos não fazem politica por paixão ou dedicação mas apenas e só para seu uso-fruto pessoal e de um vasto conjunto de amigos e poderes instalados em que tudo vale. O carácter e o amor à causa politica "já eram"...