José Sena Goulão / Lusa

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva

Durante o jantar de Natal do grupo parlamentar do Partido Socialista, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, comparou a Concertação Social a uma “feira de gado”.

O ministro Augusto Santos Silva foi apanhado pelas câmaras de televisão da TVI a gracejar acerca da Concertação Social durante o discurso do primeiro ministro, António Costa.

Segundo conta o DN, enquanto o primeiro-ministro enaltecia os resultados obtidos pelo ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, durante as negociações com os parceiros sociais, o ministro dos Estrangeiros tecia comentários em tom jocoso.

Ali o Vieira da Silva conseguiu mais um acordo, pá! Ó Zé António, és o maior… negociante. Grande negociante. Era como uma feira de gado!”, disse Santos Silva, aparentemente sem se aperceber da presença das câmaras.

As imagens e o registo áudio foram captados e transmitidos pela TVI na crónica de Vítor Moura-Pinto deste domingo, e não tardaram a ser comentadas nas redes sociais.

Alguns dos parceiros sociais, entretanto, já reagiram aos comentários do ministro.

Em declarações ao jornal i, o presidente da CIP, diz que “não acha apropriado”. “Não me identifico com estas declarações”, afirma João Machado.

O presidente da CAP, António Saraiva, diz por seu turno ao mesmo jornal que “para um ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva usou pouca diplomacia”.

O deputado social democrata Carlos Abreu Amorim usou também as redes sociais para realçar a inclinação dos governantes socialistas pela temática da pecuária.

Num post publicado no seu Twitter, o antigo candidato do PSD à Câmara de Vila Nova de Gaia realçou a aparente dualidade de critérios no tratamento dado a Augusto Santos Silva e a Manuel Pinho.

Em 2009, após uma intervenção do deputado Bernardino Soares, do PCP, um gesto infeliz dirigido à bancada comunista pelo então ministro da Economia do governo de José Socrates levaria ao pedido de demissão de Manuel Pinho.

“Excedi-me”, reconheceu na altura o ministro, “mas não vejo razão para me demitir”.

Estava enganado. Pouco depois, o ministro da Economia foi chamado a uma curta reunião com o então ministro dos Assuntos Parlamentares Augusto Santos Silva e demitiu-se mesmo.

Mas desta vez, como diz Vítor Moura Pinto no seu “Seis Por Meia Dúzia”, é Natal… ninguém leva a mal.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”” ]