Mário Cruz / Lusa

O candidato à liderança do PSD, Pedro Santana Lopes

O antigo deputado e militante social-democrata Pacheco Pereira disse que Santana Lopes o convidou em 2011 para fundar um novo partido que disputasse eleições com o PSD.

Durante o programa Quadratura do Círculo, no qual José Pacheco Pereira é comentador, o antigo militante do PSD revelou que já quando “Passos Coelho era presidente do partido”, recebeu um telefonema de Pedro Santana Lopes para marcar um encontro.

Nesse encontro, o candidato à liderança do PSD disse “o seguinte – e isto não disse só a mim, disse a outras pessoas, portanto não vale a pena negar: que queria fazer um novo partido“.

A revelação foi feita na quinta-feira à noite, a dois dias das eleições no PSD disputadas por Pedro Santana Lopes e o antigo autarca do Porto, Rui Rio.

Na altura do encontro entre Pacheco Pereira e o ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Santana Lopes “estava muito indignado porque no PSD estava a haver uma transição de pessoas que o ‘enojava’ – e cito aqui as palavras – entre os apoiantes de Manuela Ferreira Leite e que agora estavam todos a ‘passar-se’ para Pedro Passos Coelho. E isso levava-o a considerar que o PSD estava morto, já não tinha salvação e queria fazer um novo partido – e não era um movimento, como agora diz em relação à tentativa anterior, era um novo partido”.

O antigo deputado conta que o objetivo seria o novo partido “disputar eleições com o PSD” e que ficou surpreendido quando, “poucas semanas depois, Santana Lopes já estava a fazer campanha por Passos Coelho”.

Pacheco Pereira acusa, por isso, Santana Lopes de ter atuado contra o PSD e afirma que aquele candidato não “pode dizer que nunca atuou contra o PSD, que nunca atuou contra Passos Coelho. Nada disso é rigorosamente verdade”.

Santana Lopes nega encontro

Segundo o Observador, o candidato ter-se-à defendido, negando, numa sessão com militantes em Aveiro, que alguma vez se tenha encontrado em 2011 com Pacheco Pereira num Hotel da Lapa para o convidar para integrar o movimento político que queria criar.

Santana Lopes foi ainda mais longe e garantiu que Pacheco Pereira mentiu ao dizer que Santana o convidou para o movimento político que queria criar à margem do PSD. “Vejam ao ponto que chega para tentar denegrir, denegrir, denegrir…”.

Pacheco Pereira falou expressamente na alegada criação de um partido político mas Santana Lopes fala sempre em movimento político. A divergência é simples de explicar: como o ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa sempre negou que tenha desejado fundar um partido, apenas se refere a um “movimento político”.

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