António Cotrim / Lusa
O presidente do Aliança, Pedro Santana Lopes, discursa durante o 1.º Congresso do Aliança
O presidente do partido Aliança, Pedro Santana Lopes, desafiou esta quarta-feira os forças de centro-direita que já tenham representação parlamentar, ou não, para se sentarem à mesa e conversarem para delinear uma estratégia que ajude a travar o “avanço eleitoral” da esquerda.
Numa nota publicada na página oficial do Aliança no Facebook, Santana Lopes considera “essencial que os líderes dos partidos de centro-direita se reúnam e conversem para avaliarem o que devem fazer para impedir o domínio ou influência da esquerda, nomeadamente a mais radical”.
Num texto intitulado “imperativo patriótico”, o presidente do partido defende também que “está em causa combater e derrotar a ditadura moral da extrema-esquerda, evitar o esbulho fiscal e pôr a funcionar os serviços públicos”.
Em declarações à agência Lusa, o líder da Aliança propôs que “tenha lugar esse encontro entre os líderes dos partidos de centro-direita, os que já têm representação parlamentar e aqueles que ainda não têm, para, com uma agenda livre e aberta, sem condições nenhumas à partida nem propostas em cima da mesa, mas para conversarem”.
Na ótica de Santana Lopes, o diálogo “é algo que tem faltado muito, nomeadamente nesta altura em que o eleitorado de centro-direita sente que existe um avanço dos partidos de esquerda e de extrema-esquerda com propostas quase radicais, nomeadamente em matéria fiscal”.
O antigo primeiro-ministro criticou que o Bloco de Esquerda e o PCP contemplem nos seus programas eleitorais “rendimentos prediais englobados no IRS, aumento do IRC, mais propostas que fazem parte da chamada ditadura moral da extrema-esquerda”, e acusou estes partidos de “quererem organizar a sociedade à sua maneira, com, por vezes, uma atitude de perseguição às empresas, sem o devido respeito pela liberdade económica”.
“É todo um clima que entendo que obriga os líderes do centro-direita
a sentarem-se, conversarem e verem se há condições ainda para um trabalho comum de apresentação de uma alternativa aos portugueses, que evite o anunciado avanço eleitoral da esquerda e da extrema-esquerda” nas eleições legislativas de 06 de outubro, salientou.O encontro, defendeu, “deve ter lugar tão breve quanto possível na sede de um dos dois partidos com representação parlamentar ou em local alternativo por eles proposto” e a “agenda deve ser plenamente aberta e livre”.
À Lusa, Santana Lopes referiu ainda não ter tido resposta por parte de PSD ou CDS-PP a este convite endereçado através das redes sociais. “Portugal merece que se ponham de lado barreiras ou diferenças que impeçam o caminho de uma alternativa”, remata o texto.
Questionado sobre se vai propor novamente uma coligação eleitoral à direita, o presidente da Aliança lembrou que o desafio que lançou em fevereiro “não foi aceite”. “Agora, por isso mesmo, proponho um encontro sem nenhuma proposta à partida, é por isso que eu não quero adiantar qualquer tipo de proposta”, notou, acrescentando que o seu objetivo “é que as pessoas tenham essa capacidade de sentarem, de conversarem, a pensar em Portugal”.
“Chamem-lhe o que quiserem”, disse o líder do Aliança à TSF, reiterando que “é preciso ter a iniciativa, é preciso reagir (…) António Costa parece estar a fazer um passeio e não me conformo”, concluiu Pedro Santa Lopes.
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