O antigo presidente do PSD Luís Marques Mendes afirmou este domingo ter apurado que Pedro Santana Lopes “está inclinado a avançar” para a liderança dos sociais-democratas contra Rui Rio, e defendeu que é preciso recentrar o partido.
De acordo com Luís Marques Mendes, o atual Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa “tomará a decisão entre esta segunda-feira e terça-feira, o mais tardar”.
Depois de fontes próximas do antigo líder social-democrata darem como certa a entrada de Santana Lopes na corrida à liderança do PSD, o Público escreve que o anúncio acontecerá após a marcação da data das eleições diretas (apontadas para o fim de semana de 17 e 18 de dezembro) pelo Conselho Nacional, que se realiza esta segunda-feira à noite.
Um apoiante do ainda provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) garantiu que Santana Lopes, por ser “um institucional” não se candidataria “a umas eleições que ainda não estão marcadas”, referindo ainda que amanhã será o dia “mais provável” para Santana anunciar a sua decisão.
Outras fontes do partido garantem que Santana Lopes tem recebido o “apoio de uma parte significativa” do PSD e que há “um enorme alívio com o seu regresso“. “Pedro Santana Lopes tem o sentimento de obra inacabada em relação ao PSD”, declarou uma das fontes, acrescentando que “esse sentimento é também extensivo ao país”.
Como alternativa à candidatura do antigo primeiro ministro (julho de 2004 a março de 2005), no seu comentário semanal no Jornal da Noite da SIC, Marques Mendes apontou que, “se Santana Lopes não avançar, há um jovem vice-presidente da Câmara de Cascais”, Miguel Pinto Luz, “que é um jovem com talento e que pode vir a ser candidato, sobretudo como forma de marcar presença e marcar algumas propostas para o futuro”.
Confrontado com o facto de se ter também falado no seu nome suceder a Pedro Passos Coelho na liderança do PSD, Marques Mendes foi taxativo: “Essa questão não existe. Não existiu, não existe e não existirá, nem agora nem nunca. Nem ponderei nem refleti nem um minuto sequer“.
“Há dez anos que estou fora da vida política e sempre disse que não tenciono regressar”, acrescentou o antigo ministro e líder do PSD.
Quanto ao futuro programático do PSD, defendeu que “a estratégia tem de mudar” e que é preciso “recentrar o partido” e não “deixar o cento exclusivamente para o PS”, e também adotar uma linha com “outra sensibilidade social” e torná-lo “mais atrativo e competitivo, no discurso, nas causas, nos protagonistas e na ligação à sociedade civil”.
Dando como certa uma candidatura de Rui Rio, Marques Mendes aconselhou o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto a pôr fim, logo de início, à ideia de que pode ser “um homem de Governo de Bloco Central” PS/PSD, que se torne “de hoje para amanhã uma espécie de número dois de António Costa”.
Segundo Marques Mendes, Rui Rio tem como vantagens “uma imagem de político sério, rigoroso, respeitável” e não ter estado ligado ao anterior Governo PSD/CDS-PP, “que foi um Governo impopular”, nem aos últimos dois anos de oposição.
Contudo, apontou como dificuldades as suas ideias em matéria de comunicação social, sistema de justiça e regionalização, dizendo que “são ideias que, se ele não as temperar, não as moderar, lhe podem criar problemas”.
O antigo presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, já deu como certo que se vai candidatar, anunciando que o fará na quarta-feira, no Hotel Melia Ria, em Aveiro, pelas 18:30, numa nota enviada à comunicação social.
“Rui Rio irá apresentar publicamente a sua candidatura à presidência do Partido Social-Democrata na próxima quarta-feira, dia 11 de outubro, que, tal como o candidato definiu, não será nem no Porto, nem em Lisboa”, é referido na nota.
O comentador político da SIC falou também sobre as “duas desistências” da semana passada, do ex-líder parlamentar do PSD Luís Montenegro e do eurodeputado Paulo Rangel, que anunciaram que não se iriam candidatar à liderança do PSD.
Quanto a Paulo Rangel, Marques Mendes disse que “razões pessoais não se discutem, respeitam-se”. No caso de Montenegro, sustentou que as razões foram “mais políticas do que pessoais” e questionou “se ele tomou uma decisão certa ou se foi um erro histórico”, concluindo que “só o tempo o dirá”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa”]
Eu acho que Pedro Santana Lopes tem estado a treinar um truque, coisa em que a política Portuguesa tem sido fértil. Ele sabe (como toda a gente ...) que o PSD já se acomodou à ideia de liderança por Rui Rio. Com a consciência de que o novo "leader" não irá ganhar nada, vai desapontar o partido e cair.
Para Pedro Santana Lopes, ganhar esta corrida acabaria em derrota, par ele e para o partido.
Foi bom que se tivesse mostrado, mas calculo que vai desistir, a não ser que conte que o Congresso pode mudar as coisas.
Quem ganhar esta corrida vai perder a "volta", por cansaço ou incapacidade.
Quem perder pode vir a GANHAR na meta, por queda do "leader" da equipa ou por eventual colapso da organização "desportiva" vigente.