Open Arms / EPA

O actor Richard Gere em Lampedusa, Itália.

O vice-primeiro-ministro de Itália, Matteo Salvini, reagiu com sarcasmo às críticas lançadas pelo actor Richard Gere ao Governo italiano, no âmbito da crise de migrantes com o barco “Proactiva Open Arms” que está impedido de atracar no país.

O barco com bandeira espanhola que pertence à organização não governamental (ONG) Open Arms está há 10 dias parado ao largo da costa da ilha de Lampedusa, na Sicília, devido à proibição de desembarque de migrantes imposta pela Lei italiana.

Richard Gere visitou os 160 migrantes a bordo que foram resgatados no estreito da Sicília, para lhes levar bens alimentares e outros produtos necessários.

O actor de 69 anos, que interrompeu as férias na Toscânia para se deslocar a Lampedusa, aproveitou para criticar o Governo italiano pela postura perante os migrantes, apelando ao Executivo para “parar de demonizar os requerentes de asilo”.

“São pessoas que tiveram vidas horríveis, sofreram muito, chamam-se migrantes, mas são refugiados que precisam de ajuda”, constatou Richard Gere numa conferência de imprensa, frisando já ter visitado Lampedusa antes e ter conhecimento da situação “em primeira-mão”.

Richard Gere também comparou a crise no Mediterrâneo e a proibição imposta por Itália à forma como Donald Trump tem lidado com a fronteira com o México. “Nós temos os nossos problemas com refugiados que vêm das Honduras, de El Salvador, da Nicarágua, do México… É muito semelhante ao que estão a passar aqui”, apontou, considerando que “isto tem que parar já em todo o lado do planeta”.

As palavras do actor não caíram bem a Matteo Salvini que, como ministro do Interior, além de vice-primeiro-ministro, tem promovido diversas medidas anti-migração.

De forma irónica, Salvini começou por agradecer ao actor “a preocupação” de um “milionário generoso” com o destino dos migrantes. “Ele pode levar todas as pessoas a bordo do seu avião privado para Hollywood” e “apoiá-las nas suas moradias”, atirou depois o político de extrema-direita.

Espero que se bronzeie e que esteja bem, penso que não lhe falta nada”, frisou ainda.

Sobre o barco parado ao largo da costa de Lampedusa, Salvini refere que lhe foi indicada “a rota espanhola”. “Estão parados há oito dias, poderiam ter ido e voltado três vezes até Ibiza e Formentera”, disse ainda.

Além do barco da Open Arms, o barco noruguês “The Ocean Viking” dos Médicos Sem Fronteiras e “SOS Méditerranée” também teve negada a entrada em águas italianos, aguardando porto seguro para desembarcar com 80 migrantes a bordo.

Um decreto-lei assinado pelo ministério tutelado por Salvini prevê multas que podem chegar aos 50 mil euros para as ONG´s que atraquem com migrantes a bordo em portos italianos.

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