Angelo Carconi / EPA

Matteo Salvini

A justiça italiana recusou assinar a ordem de expulsão do país da capitã do navio humanitário “Sea Watch 3”, emitida pelas autoridades italianas e defendida pelo ministro do Interior italiano.

A Procuradoria de Agrigento, Sicília, tomou esta decisão um dia depois da juíza Alessandra Vela ter decidido libertar Carola Rackete, que se encontrava em prisão domiciliária desde sábado depois de ter atracado, sem autorização, na ilha de Lampedusa para realizar o desembarque de 40 migrantes que tinham sido resgatados há vários dias ao largo da Líbia.

A informação foi avançada, esta quarta-feira, pela porta-voz italiana da ONG Sea Watch, Giorgia Linardi, numa conferência de imprensa em Roma. A representante explicou que a Procuradoria de Agrigento não irá deliberar sobre a ordem de expulsão pelo menos até 9 de julho, quando a capitã do Sea Watch 3 deverá ser ouvida pelas autoridades judiciais italianas no âmbito da investigação aberta por suspeita de ajuda à imigração ilegal.

A mesma porta-voz confirmou que a alemã, de 31 anos, foi transportada para um “lugar seguro” para protegê-la da atenção dos media, mas sem falar de eventuais ameaças, ao contrário do porta-voz da mesma organização em Berlim, Ruben Neugebauer, que no mesmo dia referiu que a jovem já recebeu algumas.

Linardi acrescentou que a capitã é “uma mulher livre” e, como tal, não é garantido que permaneça em Itália. “Carola precisa de ter o seu tempo depois de quatro dias de detenção, compreender tudo o que aconteceu e também enfrentar duas investigações“.

A decisão de terça-feira da juíza encarregue pelo inquérito preliminar em Agrigento foi fortemente criticada por Matteo Salvini, ministro do Interior italiano, que acusou uma parte da magistratura de “fazer política” e considerou uma “vergonha” a deliberação.

“Violou as leis. Arriscou a vida de alguns militares e agora está livre. Volta para a Alemanha para causar problemas e para colocar em perigo a vida daqueles que defendem o país”, acrescentou o também vice-primeiro-ministro.

No Facebook, o líder da extrema-direita italiana criticou ainda mais a decisão judicial de libertarem a alemã: “O juiz bebeu um copo de vinho antes de decidir?”.

Os representantes da Sea Watch e de outras ONG envolvidas no resgate de migrantes no Mediterrâneo, como a Open Arms ou a Mediterranea, e de organizações como os Médicos sem Fronteiras falaram hoje à comunicação social em Roma depois de terem recusado comparecer numa comissão do Parlamento italiano. O motivo apresentado foi o facto da Sea Watch não ter sido convidada para a comissão parlamentar.

Durante a conferência de imprensa em Roma, as ONG defenderam que a capitã alemã atuou em conformidade com o direito marítimo. Em declarações aos jornalistas, a Mediterranea afirmou que, caso se depare com uma situação similar, “irá agir como está previsto nos regulamentos das leis internacionais marítimas” o que “significa colocar a salvo as pessoas que se encontram a bordo”.

Carola Rackete foi acusada de resistência ou violência contra um navio de guerra estrangeiro, bem como da tentativa de abalroamento, por ter chocado com uma patrulha da Guardia di Finanza durante as manobras no porto de Lampedusa e foi ainda acusada de ter entrado em águas territoriais italianas sem autorização. Estas acusações podem valer-lhe uma pena de prisão de dois a dez anos.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa” ]