Manuel de Almeida / Lusa

Salvador Sobral

O cantor português Salvador Sobral, vencedor da última edição da Eurovisão, considera “horrível” a canção “Toy”, candidata de Israel este ano e uma das favoritas, e pensa que, apesar da aposta intimista que o elevou em 2017, o festival não vai mudar.

Salvador Sobral, que não tem por hábito dar entrevistas, fez uma exceção ao jornal português Público, que publica hoje uma conversa na qual o intérprete fala do seu ano como vencedor, que chegará ao seu fim no próximo sábado, quando for eleito o ganhador de 2018.

Questionado sobre se conhece as canções candidatas deste ano, o português respondeu que apenas ouviu as de Portugal e Israel, à qual chegou por um alerta do Youtube, o que não foi do seu agrado.

O YouTube obrigou-me a vê-la. Coisas da tecnologia“, comentou Salvador Sobral, “de repente, o YouTube achou que eu iria gostar da canção de Israel, e então abri aquilo e saiu-me de lá uma música horrível. Eu pensei: YouTube, muito obrigado, mas não é por aqui”,”Felizmente, este ano, não tenho que ouvir nada”.

O artista, que prepara uma atuação na gala final do sábado junto ao brasileiro Caetano Veloso, mostrou-se também cético sobre o efeito que a sua vitória, baseada numa aposta intimista e simples, possa ter tido para mudar a essência da Eurovisão, repleta de efeitos e de atuações vistosas.

“Não creio que tenha mudado alguma coisa. No ano passado, as pessoas diziam: Agora que ganhaste, isto vai mudar! Não creio. Talvez no futuro“, sustentou.

Sobral avançou que vê a sua iminente substituição como vencedor do festival como uma “libertação“, a partir da qual espera ser conhecido “só como Salvador Sobral”, e afirmou que, após doze meses de experiência, lida melhor com a fama repentina vinda pela vitória de “Amar pelos dois”.

“Quando cheguei a Portugal, depois da vitória, foi duro. Fartava-me de chorar. Dizia para mim próprio: “O que é que fui fazer?” Não podia sair à rua. Mas depois o tempo foi passando, estive todo aquele tempo no hospital por causa da operação (transplante de coração ao qual se submeteu em dezembro) e as pessoas foram entendendo, mais ou menos, como sou, e respeitam-me”, apontou.

Apesar do seu afastamento da Eurovisão, admitiu que o evento lhe trouxe “muitas coisas boas”, tais como tocar em festivais e teatros de Espanha “lindísimos” e atuar com Caetano Veloso, um dos seus ídolos.

“Portanto, existe uma relação de amor-ódio, mas na balança do que esta experiência me trouxe, vislumbro mais coisas positivas que negativas”, refletiu.

Uma experiência que completa o seu ciclo no sábado, quando Sobral e Veloso vão interpretar “Amar pelos dois”, com Júlio Resende ao piano, uma exceção no certame, onde os instrumentos ao vivo não estão permitidos, só as vozes.

O português, de 28 anos, diz ser consciente do peso que a sua vitória, a primeira de Portugal no festival, teve, pois representou receber a gala este ano em Lisboa.

“Sabe o que penso muitas vezes? É horrível o que vou dizer, mas é verdade! Penso que se houver um ataque terrorista a culpa é minha! Em Lisboa, felizmente, nunca aconteceu nada do género, e dou por mim a ter esse tipo de pensamentos”, apontou.

Questiuonado sobre as possibilidades este ano das suas sucessoras, Cláudia Pascoal e Isaura, comentou que considera difícil que ganhem “por questões políticas e até práticas” já que, diz, não sabe se haveria “dinheiro para voltar a receber um festival destes”.

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