Mário Cruz / Lusa

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES

Os pagamentos seriam feitos através do saco azul do GES e serviriam para garantir negócios de grandes empresas estatais da Venezuela com o BES.

De acordo com um acórdão da relação de Lisboa relativo a um recurso apresentado por João Alexandre Silva, atualmente em prisão domiciliária, Ricardo Salgado terá gasto cerca de 100 milhões de euros em luvas para políticos do regime chavista.

Os subornos eram pagos pela Espírito Santo Enterprises, o alegado saco azul do GES, por decisão de Ricardo Salgado. Associado aos subornos aparece o nome da Petróleos da Venezuela, que era um dos maiores clientes do banco, sendo ainda investidora do GES.

Em troca dos subornos, as empresas públicas venezuelanas tinham que fechar negócio com o BES.

“Os investimentos obtidos de entidades venezuelanas no GES, área financeira e não financeira, tiveram por base o compromisso assumido em nome, e com o acordo, do arguido Ricardo Salgado, de serem efetuados pagamentos a pessoas venezuelanas que os tornaram possíveis junto de decisores das entidades públicas em causa”, lê-se no acórdão.

O documento acrescenta ainda que “por determinação de Ricardo Salgado, foi desenvolvido um pagamento de comissões oculto de contas oficiais do BES e do GES, para iludir a sua existência”.

Entre 2009 e 2013 a ES Enterprises conseguiu pagar quase 100 milhões de euros “em benefício de pessoas que direta ou indiretamente são portadores de interesses patrimoniais de pessoas politicamente expostas, responsáveis pela natureza dos negócios entre entidades venezuelanas e o GES”.

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