Mário Cruz / Lusa

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES

Ricardo Salgado foi constituído arguido na Operação Marquês esta quarta-feira. O antigo banqueiro é suspeito de ter corrompido o ex-primeiro-ministro José Sócrates, através de transferências para a conta de Carlos Santos Silva, para que este beneficiasse o Grupo Espírito Santo.

De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), Ricardo Salgado foi constituído arguido e é suspeito da prática de “factos susceptíveis de integrarem os crimes de corrupção, abuso de confiança, tráfico de influência, branqueamento e fraude fiscal qualificada” no âmbito da Operação Marquês.

De acordo com o Diário de Notícias, o Ministério Público suspeita que mais de 17 milhões de euros encontrados nas contas de Carlos Santos Silva, amigo de José Sócrates e alegado testa de ferro do antigo primeiro-ministro, tenham tido origem no Grupo Espírito Santo (GES). A SIC Notícias avançava ontem que foram encontrados mais de 20 milhões de euros suspeitos em contas de Santos Silva, e suspeita-se que grande parte tenha vindo de sociedades com ligação ao GES.

Já de acordo com o Expresso, que em abril de 2016 revelou o esquema do “saco azul” do GES no âmbito da investigação Panama Papers, a acusação defende que o ex-banqueiro deu ordens para serem transferidos 12 milhões de euros, entre 2008 e 2009, para Joaquim Barroca, dono do grupo Lena, através de contas suas na Suíça tituladas por dois offshores, a Markwell e Monkway.

Joaquim Barroca admitiu que essas contas foram usadas por Carlos Santos Silva, sendo que os 12 milhões de euros transferidos por ordem de Ricardo Salgado tinham como destino último José Sócrates. Os montantes, que terão servido para pagamento de luvas, tiveram origem em entidades do Grupo Espírito Santo, que o MP sempre disse ter beneficiado com o negócio da PT.

O jornal i relata que, enquanto acionista da PT, o GES terá sido um dos grandes beneficiários de todas as decisões tomadas por Sócrates no âmbito do negócio da PT com a Oi, nomeadamente “a venda da participação da Vivo à Telefónica e a compra de 22% da Oi por parte da PT, que ficou concluída em 2010 mas começou a ser negociada anos antes”.

Saco azul

O Ministério Público acredita que o ex-lider do Banco Espírito Santo usou Helder Bataglia, fundador da ESCOM, para fazer chegar o dinheiro ao então primeiro ministro. O Expresso relata que no ano passado, quando confrontado com as alegações, Bataglia afirmou que “as transferências foram feitas a partir da Espírito Santo Enterprises”, sem querer dar mais explicações.

O offshore Espírito Santo Enterprises, relata o semanário, é um alegado saco azul do Grupo Espírito Santo por onde terão passado 300 milhões de euros de pagamentos a destinatários não identificados e que, de acordo com os “Panama Papers”, foi criado em 1993 nas Ilhas Virgens Britânicas, tendo como presidente Ricardo Salgado e vice-presidente José Manuel Espírito Santo.

Neste momento, Ricardo Salgado é arguido em mais dois processos com projeção mediática: o Universo Espírito Santo, onde também é acusado de branqueamento, fraude fiscal qualificada e corrupção no processo de queda do Grupo Espírito Santo (GES) e o caso Monte Branco, que investiga a maior rede de branqueamento de capitais descoberta em Portugal.

O antigo banqueiro foi detido em julho de 2014 no âmbito da Operação Monte Branco. Entretanto, em dezembro de 2015, foi colocado em liberdade, depois de ter estado quase cinco meses em prisão domiciliária.

[sc name=”assina” by=”ZAP” ]