Miguel A. Lopes / Lusa
O ex-presidente do BES, Ricardo Salgado
Ricardo Salgado deu ao primo José Manuel Espírito Santo um presente de dois milhões de euros. A oferta ocorreu em maio de 2014, em plena crise do GES, e Salgado terá ameaçado “chatear-se” com o primo se este não aceitasse.
Em maior de 2014, o antigo presidente do BES, Ricardo Salgado, terá dado ao primo José Manuel Espírito Santo um presente de dois milhões de euros.
O relato da oferta do presente de dois milhões conta no acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, de janeiro de 2018, relativo ao recurso de José Manuel Espírito Santo contra o arresto dos seus imóveis, no âmbito do processo de investigação ao Universo GES.
Este presente aconteceu numa altura em que o Grupo Espírito Santo (GES) estava já em plena crise financeira, avança o Correio da Manhã.
“O dr. Ricardo Salgado um dia chamou o oponente José Manuel Espírito Santo, já no final, com as coisas muito mal, e disse ‘vou-te dar dois milhões de euros’, em maio de 2014, tendo este respondido que não pode aceitar
esses dois milhões de euros”, pode ler-se no acórdão.Depois de o primo ter dito que não pdoeria aceitar o presente, Salgado terá ripostado, “dizendo que o oponente ia aceitar”. Assim, pediu o número de uma conta bancária para fazer a transferência dos dois milhões de euros, “tendo o oponente dito que não ia dizer nenhuma”.
Segundo o acórdão, citado pelo CM, Ricardo Salgado “insistiu para lhe dizer qual era a conta, sob pena de se chatearem“.
José Manuel Espírito Santo acabou por aceitar o presente do então líder do BES e do GES. O dinheiro terá sido canalizado para a Raimul, empresa do ramo familiar de José Manuel Espírito Santo, e terá sido utilizado para participar no aumento de capital da Espírito Santo International (ESI).
O primo de Ricardo Salgado admite que os dois milhões chegaram à Raimul, mas diz desconhecer a origem do dinheiro. O Ministério Público considera, “no mínimo, ingénuo” que José Manuel Espírito Santo desconheça a origem da quantia, tendo em conta o estado financeiro em que todo o grupo GES se encontrava naquela altura.
José Manuel Espírito Santo podia, tendo em conta a data em que tudo aconteceu, “questionar-se e saber de onde é que poderia vir aquele dinheiro”, sustenta o MP.
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Tambem gostava que me aparecessem 2 milhões na conta e não saber donde vinham.