José Sena Goulão / Lusa

O antigo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva

Dez altos responsáveis do Grupo Espírito Santo (GES) são suspeitos de terem combinado um esquema de financiamento ilegal à candidatura do antigo Presidente da República Aníbal Cavado Silva, durante as Presidenciais de 2011, avança a revista Sábado esta quinta-feira. 

A revista investigou fluxos financeiros emitidos pela ES Entreprises – o chamado “saco azul” do Banco Espírito Santos (BES), sediado no Panamá – e identificou vários vários casos em que os gestores em causa do BES foram reembolsados pelo valor exato “ao cêntimo” doado à candidatura do antigo primeiro-ministro e antigo Presidente da República.

A publicação destaca uma coincidência perfeita de valores e datas entre os donativos dos gestores do BES e a saída posterior de dinheiro do saco azul para as suas contas pessoais.

Em causa, e de acordo com a Sábado, estarão cerca de 253 mil euros em doações de Ricardo Salgado, antigo presidente do BES, e outros altos quadros a Cavaco Silva. Na maioria dos casos, os donativos terão atingido o valor máximo permitido por lei: 25.600 euros, correspondente a 60 salários mínimos.

A investigação levada a cabo sugere que houve um esquema no qual os quadros do BES entregaram donativos à candidatura de Cavaco Silva, sendo depois ressarcidos na totalidade pela ES Enterprise, que seria a verdadeira “benemérita” do ex-chefe de Estado.

A Sábado precisa que os donativos dos gestores chegariam até à candidatura de Cavaco Silva através de cheques. Depois, os mesmos responsáveis pela doações receberiam – para si ou para offshores que controlavam – transferências do “saco azul” do BES num valor semelhante ao que teria sido alegadamente doado. A revista aponta que estes esquema terá sido desenhado por Ricardo Salgado.

A ES Entreprises é uma sociedade referenciada em outros processos, como a Operação Marquês, tem que o antigo primeiro-ministro José Sócrates como principal arguido, e o caso da EDP. Suspeita-se que esta entidade tendo sido a origem do dinheiro oferecido por Ricardo Salgado a Zeinal Bava, José Sócrates ou Manuel Pinho.

A Sábado, que faz manchete do caso esta quinta-feira, recorda que no da candidatura de Cavaco Silva em causa, o BES registou prejuízos de 109 milhões de euros.

Os altos gestores

Além de Ricardo Salgado, escreve o semanário Expresso, o DCIAP está outros doadores suspeitos associados à família Espírito Santos. Entres os gestores estará Manuel Fernando Espírito Santo Silva, presidente da Rioforte, o comandante António Ricciardi, pai do então administrador José Maria Ricciardi e Manuel Fernando Galvão Espírito Santo, um dos gestores do Grupo Espírito Santo.

Surgem também os administradores executivos à época: Rui Silveira, Joaquim Goes, António Souto, Pedro Fernandes Homem e Amílcar Morais Pires, o braço-direito de Salgado.

De acordo com a revista, um outro financiador ligado a Salgado que passou um cheque para a campanha foi Mário Mosqueira do Amaral, acionista de referência da holding Espírito Santo Control, falecido em março de 2014.

De acordo com a lei de financiamento das campanhas, recorde-se, as candidaturas não podem ser financiadas por empresas ou instituições, apenas por cidadãos a título individual, o que pode explicar o alegado esquema e os donativos dos administradores do banco, todos dentro do limite legal.

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