A Ryanair tem sido alvo de críticas por não intervir numa discussão entre dois passageiros, na qual um homem insulta uma mulher negra que se senta ao seu lado. A empresa afirma que, no futuro, expulsará quem tenha atitudes semelhantes. As autoridades estão a investigar.

A companhia aérea irlandesa Ryanair está a ser muito criticada nos últimos dias pela forma como geriu um incidente ocorrido pouco antes da descolagem de um voo Barcelona/Londres, em que um homem chamou “preta, feia, bastarda” a uma passageira que estava sentada ao seu lado. O indivíduo, além de não ter sido expulso, conseguiu que tivesse sido a vítima a mudar de lugar.

Quer no avião, quer nas redes sociais, houve quem considerasse que o mais acertado teria sido expulsar o indivíduo do avião, mas a Ryanair nada fez. Em comunicado, a empresa referiu que tinha conhecimento do vídeo e que tinha denunciado a situação à polícia de Essex, Inglaterra.

Operamos segundo diretrizes rigorosas e não iremos tolerar comportamentos desordeiros como este”, referiu a Ryanair, acrescentando que atitudes deste género resultarão daqui em diante na expulsão dos passageiros que estejam a causar distúrbios.

Segundo o Diário de Notícias, o indivíduo começou por insistir com a mulher para que se movesse rapidamente, de modo a dar-lhe passagem. A filha da senhora explica-lhe que a mãe tem uma deficiência que a impede de se mover mais depressa, mas o homem diz “não querer saber”, disparando insultos racistas conta a mulher, de 77 anos.

Não quero sentar-me ao pé da tua cara feia“, atirou. “Não me fales numa língua estrangeira, sua vaca feia e estúpida.”

Ainda que a Ryanair tenha vindo explicar a atitude dos assistentes de bordo ao, nomeadamente, manter abordo o indivíduo, transferindo a passageira para outro lugar, a chuva de críticas inundou as redes sociais, com pessoas a afirmarem que as explicações da empresa não convenceram a opinião pública.

Muitos utilizadores apontaram o dedo à Ryanair, acusando a companhia aérea de só ter agido após a divulgação do vídeo, não tendo tomado qualquer atitude em relação ao agressor nem durante os incidentes.

A situação chegou também à política, com o deputado britânico David Lammy a apelar ao boicote à Ryanair. “Boicotemos a Ryanair se eles acham aceitável que um homem racista insulte uma mulher negra idosa e permaneça no avião. Passaram 63 anos desde que a Rosa Parks disse que não se sentaria na parte de trás do autocarro e não voltaremos a isso”.

As autoridades britânicas e espanholas já estão a investigar o caso., avança o NYT. “A polícia de Essex leva a sério o crime baseado em preconceito e queremos que todos os incidentes sejam relatados”, referem as autoridades britânicas, adiantando que já estão a trabalhar em estreita colaboração com a Ryanair na investigação.

A investigação policial ocorre no momento em que a Ryanair anunciou a queda de 7% nos lucros nos primeiros seis meses do ano. A empresa tem lutado contra o impacto das recentes greves, altos custos de combustível e intensa concorrência.

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